Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
MSN - chchcobain@hotmail.com
"No fim das contas são as canções de amor que duram mais. Canções sobre trabalho são boas. Canções sobre rios, pais ou estradas também. Boas canções sobre filhos são surpreendentemente raras; canções sobre animais de estimação é melhor evitar. Canções sobre drogas - especialmente canções que dão a entender que são sobre garotas, mas "na real" são sobre drogas - não tem o mesmo apelo quando você não está mais na escola e não tem ninguém que possa explicar o sentido oculto para você. E piadas realmente nunca agüentam o teste da execução por rádio ou TV. Mas as canções verdadeiramente maravilhosas, aquelas que o tempo não consegue destruir são sobre sentimentos. E não é porquê os compositores tenham algo a acrescentar sobre o assunto; é simplesmente porquê o romance, com seus altos e baixos, reviravoltas e tropeços, síncopes, chiliques e achaques é uma metáfora natural para a música em si."
Nick Hornby, em "31 Canções". Pág. 55.
Cultura?
Se eu fizesse um jogo dos erros com as imagens, todo mundo acertaria. Desde quando "Paris Hilton" é Cultura? Especialmente, as notícias dela na prisão (se está presa, não está, se peida muito ou não, enfim..). Um equívoco muito comum de se ver por aí é cultura ser confundida com entretenimento.
Noticias sobre Paris Hilton, Britney Spears e afins são entretenimento. Não acrescentam nada a ninguém mas servem para divertir, no máximo, fofocar. Músicas do RDB, da Pussycat Dolls, do Latino também são entretenimento. Sem querer tirar o mérito das "composições" (caso alguém realize a façanha de encontrar algum), é evidente que existem determinados artistas que compõem apenas focados em entreter, atingir a grande "massa" e fazer sucesso, com nenhum objetivo mais. Neste caso, é puro entretenimento.
È importante não confundir os fatos. Quase todo o artista almeja fazer sucesso, isto é inegável. E nem sempre o sucesso de um artista, significa que ele se classifique como entretenimento. Beatles, Tom Jobim, Chico, Bob Dylan e outros tantos atingiram sucesso, e até entreteram (porquê não?), mas apresentam trabalhos que acrescentam algo (ainda que não sejam canções sérias), inovam artisticamente e nem sempre são criam com uma meta especifica. Assim, cultura é a categoria ideal para classificá-los.
Este é apenas um ponto de vista de alguém que é apaixonado por Cultura, e às vezes gosta de se divertir com Entretenimento.
Depois desta noticia, lançada na imprensa nacional no começo deste mês, ficou fácil entender o porquê da paralisação por tempo indeterminado da banda Los Hermanos.
Amarante, Medina e Barba vão fingir que não conhecem o Camelo por um bom tempo.
Eu já imagino três barbudos escondidos debaixo da cama. rs.
LOOP
Gostaria de expressar algo que sentia, mas não sabia realmente como dizer. Na verdade, ele não sabia muito do que realmente gostaria de saber. Entretanto, sabia que respostas não poderiam ser compradas, e que soluções não eram universais. Sempre esteve consciente de que o mundo e as grandes dúvidas comuns que assolam qualquer ser eram cercadas de variáveis aos milhares, milhões. Cada situação exigia um pensamento específico, e as situações poderiam ocorrer de inúmeras formas diferentes. Sorrateiramente, enganava a si mesmo com uma certa frequência. Todavia nem sempre fazia isto conscientemente.
Muitas coisas que já o incomodaram hoje não o chateiam mais. Aprendeu bem a lição que o dizia para não perder o controle por aquilo que não merecia esforço, e sabia que a aceitação era um dom dos fortes. Ainda assim, ao mesmo tempo em que os anos o tornaram mais maduro e sagaz, eles também trouxeram um certo pessimismo sutil, que o levara a lamentar sobre as deficiências de sua saúde, e a incapacidade de sair de um lugar onde já se encontra a bastante tempo. Lamentava ao lembrar que já possuira mais disposição em um passado não tão remoto.
Um certo ceticismo tornou-o mais introspectivo. Não pretendia convencer a quase ninguém mais, que não fosse a si mesmo. Crente das suas imperfeições, pensava em um jeito de subjugá-las. Resolver problemas longos nunca foi o seu forte. Por isso, acostumou-se a dividir tudo em pequenas partes e enfrentar aos poucos. Conseguiu vitórias impressionantes, mas nunca se impressionou o suficiente. E nada o desanimava mais do que se sentir comum, pois de certa forma, ele sempre se considerou um pouco diferente. E nessas horas, se esquecia do evidente: o diferente é o que há de mais comum.
*Spiderman 3 Soundtrack.
Mutantes
Os Mutantes em tempos áureos. Formação original, na década de 60.
Os Mutantes nos dias atuais. Um cartaz da turnê realizada no exterior, em 2006.
Este blog resolve prestar uma homenagem a um dos maiores grupos da história da música brasileira. Estou me referindo aos Mutantes, grupo que sacudiu o país entre o final da década de 60 e o início da década de 70, com muita criatividade, dinamismo, bom humor em letras e arranjos extremamente inovadores para a época. Compostos pelo gênio Arnaldo Baptista, o virtuose Sérgio Dias, a espevitada Rita Lee e, posteriormente por Dinho e Liminha, os paulistas souberam deixar a sua marca musical. Assim como os Beatles, os Mutantes tiverem várias fases e influências em sua carreira, passando pelo tropicalismo (ao lado de Caetano/Chico/Tom Zé), psicodelia, rock'n roll em seu estado puro (com muita influência do quarteto de Liverpool) e por fim, rock progressivo em seus últimos tempos de formação original(na minha opinião, a fase mais decadente da banda), que se exterminou em 1978.
Recentemente, os Mutantes, voltaram a excursionar com alguns shows no exterior e outros no Brasil, compostos em uma formação "quase" original, cuja a única grande ausência é da cantora Rita Lee, substituída por Zélia Duncan (oh my god, NOOO!), uma vez que Fernanda Takai (a primeira convidada) não teve disponibilidade em sua agenda para os compromissos "Mutantes". Ainda assim, confesso que adoraria ver de perto um show desses incríveis músicos, que de tão bons chamaram a atenção de alguns artistas respeitados do cenário internacional como:
* Kurt Cobain, que esteve no Brasil em 1993, e foi a procura de Arnaldo Baptista. Kurt, na ocasião, expressou sua admiração pelos Mutantes e entregou para Arnaldo uma carta que posteriormente tornou-se bem conhecida;
* Beck, que em 1998 lançou o album "Mutations", cujo nome homenageava a banda brasileira, citada várias vezes pelo cantor;
* Belle and Sebastian, que tocaram uma versão de "Minha Menina" em algumas de sua apresentações. Alguns de seus integrantes também já manifestaram admiração pelos Mutantes;
* Sean Lennon, filho de John Lennon, que assinou o trabalho gráfico do relançamento do disco Technicolor, além de convidar Arnaldo Baptista para participar de sua apresentação no Free Jazz;
*Primal Scream, que durante sua apresentação no Tim Festival de 2004, dedicou uma canção aos Mutantes;
*Brian Molko (Placebo), que já citou a banda como sua referência em termos de psicodelia;
* David Bowie e David Byrne (ex-Talking Heads) , que esteveram presentes na apresentação de retorno do grupo, em Londres;
* Flaming Lips, que recentemente fizeram algumas apresentações juntos dos Mutantes nos EUA, e cujo líder Wayne Coyne também é fã do trabalho do grupo;
Resumindo, boas referências não faltam. Quarenta anos depois, um produto nacional de alta cotação recebe o seu devido valor, e torna-se uma espécie de "hype". E com todo o merecimento possível.
Ouçam:
O mais novo disco da banda carioca Canastra, intitulado "Chega de Falsas Promessas", que saiu pela revista/selo do Lobão, a OutraCoisa. Liderados por Renato Martins, ex-lider do Acabou la Tequila, lendária banda do underground carioca cultuada por Los Hermanos e Caetano Veloso, o Canastra faz uma boa mescla de rockabilly, jazz, country, musica latina e brasileira, e claro, rock'n roll. A banda leva na bagagem o bom disco anterior ("Traz a Pessoa Amada em Três Dias") e o prêmio no festival "Oi Tem Peixe na Rede" (onde desbancaram o Luxúria, queridinhos da Sony/Music).
O grande diferencial do novo disco em relação ao trabalho anterior são os excelentes arranjos de metais, que enriqueceram o som da banda, na composição de uma "mini-orquestra". Tudo isso intercalado a letras sagazes como "Motivo de Chacota" e "Dois dedos de conhaque" traz como resultado um som criativo, envolvente, e acima de tudo, divertido. Grande bolachinha!
Não Ouçam:
As mentiras de Renan Calhorda.
As apresentações de nossos congressistas em suas CPI's que só servem mesmo para palanques políticos e para ataques em adversários.
Qualquer palavra dita pelo desorientado Senador Marcelo Crivella, que quer aprovar no Senado uma emenda à Lei Rouanet para permitir construção, reforma de templos religiosos e pagamento de "pastores" com renúncia fiscal, passando a disputar verbas com a cultura.
Os investimentos em cultura neste país já são tão poucos, e dividi-los com pastores milionários que querem aumentar ainda mais o "espaço de seus cofrinhos" é, no mínimo, inaceitável.