Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
ICQ - 34383293
MSN - chchcobain@hotmail.com
Férias
Hoje é o dia da viagem. Vou tirar meus 20 dias de férias, e provavelmente não devo entrar aqui tão cedo. Gastei uma nota com a viagem, ainda que com uma ajuda "familiar", mas acho que é justo para quem encarou cinco anos de faculdade e três de emprego cansativo. Não sei quando vou poder viajar assim denovo, já que ano que vem é ano de trabalhar, de começar a fazer minha vida, e principalmente, ACHAR UM RUMO. Então vamos ver o que eu consigo aproveitar da viagem.
Roteiro:
Dia 29 - Rio de Janeiro
Dia 03 - São Paulo
Dia 09 - Porto Alegre
Vou ver se volto até dia 20. Dia 25 eu tenho documentação da faculdade a pegar, e dia 27 tem show do Camus, então é preciso agilizar isso...
Só sei que enquanto estiver longe, jamais deixarei de olhar o entardecer, que eu aprendi a olhar. È uma vista que não se descreve, se sente. E eu sinto cada dia mais forte...
Boa sorte também para quem viaja a outro lugar ou a quem fica. Feliz ano novo para vocês. O meu 2005 terminou bem, realmente posso dizer.
Testes
Há tempo não "brincava" com esses, mas copiando o blog da Roberta, não resisti.... Até que gostei/concordei com os resultados...
You rule. in 15 years, you won't be as known as you
are now, but most of the people that will know
you then will like you (or else I'll beat them
with a stick). You're nice to listen to.
What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

You are Schroeder!
Which Peanuts Character are You?
brought to you by Quizilla
overdose.doces.complexo.insano.assustador.metafórico.
incontrolável.similaridades.filosofias.saudade.fuga.
virtualidade.cronômetro.necessidades.surpresas.apego.
perguntas.escolhas.oculto.canções.isolamento.entardecer.
vermelho.acidente.sonhos.frases.palavras.sentidos.
* Minha monografia foi aprovada com conceituação 9.0, e agora posso dizer que sou praticamente um rapaz formado, após cinco longos anos de faculdade, que passaram mais rápido do que eu pensei (a contradição foi proposital). Apesar da animadora conquista, acho que poucas vezes na vida eu estive tão desorientado assim. Não sei muito bem para onde ir, o que seguir ou que rumo tomar. Sei que tenho limitações, sei que tenho cobranças próprias e, principalmente, sei que vou ter de modificar muita coisa para não seguir uma vida banal.
* E prefeito Íris "filho da ..." Rezende quer implantar em Goiânia o "Imposto do Poste". Isso mesmo, o pífio imposto inventado por José Serra em São Paulo sobre os postes de iluminação pública talvez venha a ser implantado por aqui. Não esqueça de levar o seu "vira-lata" para urinar no poste, afinal provavelmente estaremos pagando por ele. Realmente, antigamente os políticos eram mais criativos para meter a mão na "bufunfa".
* Tão revoltante quanto é saber que a Assembléia Legislativa do Estado gastou dos cofres públicos neste ano a bagatela de 6 milhões de reais para pagamento de sessões extras de votação aos deputados estaduais, sendo muitas dessas sessões para reajustar as gratificações dos próprios deputados da Assembléia, e para liberar aumentos para funcionários como os Secretários do Estado.
* O natal está aí. Exceto pela época em que eu acredita no velhinho, essa data sempre passou batida por mim. Nada de festas de família, comemorações especiais ou coisas assim, até porquê minha família está muito longe para isso. Mas fica aqui o desejo de que todos vocês tenham o melhor natal possível.
MUSIC ADDICTION
The Rentals
Se fizessem uma lista das melhores bandas de powerpop que já existiram, certamente o "The Rentals" deveria estar presente. O grupo, formado em 1994 por Matt Sharp, baixista da formação original do Weezer, faz obviamente um rock bem "pegajoso", onde dois moogs conduzem a linha de frente na atmosfera sonora, e os vocais alternam-se entre integrantes masculinos e femininos. Qualquer semelhança dos gaúchos do Wonkavision com eles não é mera coincidência. Entretanto, o Rentals ainda conta com um violino fixo na banda, completando junto com guitarra-baixo-bateria sua formação mais que original. A banda lançou dois discos, e chegou a excursionar com o Blur, mas em 1999 deu uma pausa nas suas atividades, para retornar somente agora em 2005, onde estão gravando um terceiro disco. Escute: "Please Let That Be You".
Rilo Kiley
O Rilo Kiley é quarteto liderado pela bonita Jenny Lewis (vocais e guitarras), e foi formado em 1998, na cidade de Los Angeles. Com sua voz suave, a vocalista conduz a banda em belas canções com sons intimistas e melodias bem trabalhadas. Já excursionaram com o Breeders e têm três álbuns lançados. Escute: "Does He Love You".
Maximo Park
Uma banda inglesa que faz um rock grudento com influências retrô, e vira um sucesso rapidamente. Sim, você já viu esse filme muitas vezes, e se tem bom-senso já deve estar um pouco cansado disso. Mas nem todo "hype" é ruim. Prova? Maximo Park. Os rapazes de Newcastle não vão sair do seu aparelho de som. Escute: "Going Missing".
Polyphonic Spree
Você gosta de Beach Boys? Beatles à Sgt. Peppers? Mercury Rev? Flaming Lips? Sigur Rós? Arcade Fire? Espere até ouvir isso. O Polyphonic Spree é um grupo que dificilmente vai passar batido por qualquer audição. O grupo texano, ou melhor, o supergrupo texano é formado por 25 integrantes, sendo 15 cantores que fazem um coral de arrepiar e 10 músicos que fazem da banda quase uma mini-orquestra. Diversas são influências do grupo, mas com certeza suas canções "épicas" são mais que apropriadas para se ouvir num domingo de sol onde pretende-se tomar um rumo positivista para sua vida. Escute: "Hold Me Now".
Escute também:
Aqualung: Matt Hales é um garoto prodígio que com 4 anos compunha canções e com 16 regia orquestras na cidade de Southampton. Hoje ele adota o nome artístico de Aqualung, e com dois álbuns lançados, faz um som digno e trovadores, onde a linha musical constante é a de piano e voz. Escute: "Brighter than Sunshine".
Scratching Post: No meio dos anos 90, a banda liderada por Nicole Hughes tinham um grande reconhecimento no underground britânico, por transitar bem entre punk-rock, alternativo e hard rock, fazendo um som pesado de uma maneira bem pop. Escute: "No One Leaves".
Grape Storms : Uma das mais clássicas bandas indies brasileiras, os goianos do Grape Storms mantiveram-se em atividade durante sete anos, pondo fim à banda nos altos anos da década de 90. Com muitas influências do rock alternativo britânico, seus dois trabalhos ainda podem ser encontrados no plantel do selo carioca "Midsummer Madness". Em 2003, uma canção da banda foi lançado na coletânia "Stamp Collecting", lançada pela gravadora norte-americana de mesmo nome, reunindo uma seleção de bandas alternativas do mundo todo. O GS é a única banda brasileira presente na coletânea. Escute: "For Myself".
Auto-Engano
Em um cenário simplório, ludibria o ambiente com suas idéias. Seus devaneios, tão nebulosos, lhe tiram a percepção externa. Assim, trata com indiferença os cochichos alheios de quem se espanta com um olhar tão fixo para um rumo tão pouco convencional.
As conclusões, perdidas em uma série de idéias desconexas, forçam o agregamento para um raciocínio indesejado. Minutos de sã consciência o levam a perceber a mediocridade de suas atividades rotineiras. Sente falta de sua antiga ingenuidade juvenil, onde os planos pareciam mais fáceis de serem planejados, e as limitações eram vistas como aspectos temporários.
Hoje faz companhia ao silêncio, que ainda perdura por um bom tempo. Em um lapso inseguro e repentino, torna-se seu próprio advogado de defesa, e oculta de si os próprios erros. È preciso garantir um dia de sono a mais, ainda que ao custo de um dia de vida a menos. O futuro é um ser que misteriosamente lhe assusta, de forma que sua preocupação tornou-se a instantaneidade.
Cansado das próprias idéias, resolve caminhar rumo ao abrigo de sempre. Sabe que jamais teria pernas para caminhar para onde gostaria de estar nesse momento, então pensa em ao menos pegar um caminho diferente hoje, mas o comodismo o impede de faze-lo. Pensa em algo da qual desiste de pensar na mesma hora. Pensa em uma música do Jeff Buckley. Pensa. Pensa. Não existe. Pensa novamente que é melhor não pensar. Encontra um flyer no chão, e por um segundo percebe estar de frente para a carniça que irá alimentar sua alma nos próximos dias. Mas a fome nunca tarda a voltar.
Talvez seria interessante se as crianças/adolescentes fossem educadas na escola desde de pequenas a navegar "corretamente" em sites de procura, sabendo as melhores formas de se encontrar o conteúdo desejado e sabendo também analisar os conteúdos pesquisados de forma crítica.
Eu enquadraria isso em educação para a vida. Pode parecer uma bobeira ou um grande exagero, mas não há como se fugir da Internet, nem muito menos de uma ferramenta tão ampla e prática de acesso à informação.
* Semana decisiva para minha pessoa. Quinta-feira, dia 15, às 15:00 horas apresento meu Trabalho Final de Conclusão de Curso, intitulado "Levantamento Prático e Teórico Para a Construção de Tutores Multimídias", no auditório da Àrea III, da UCG. Vou precisar de boa sorte.
Noite Senhor F. e Goiânia Noise, quinta-feira, 01 de dezembro.
O pontapé inicial da 11ª edição do Goiânia Noise Festival foi dado na quinta-feita, no Especial Noite Senhor F, ou simplesmente a festa de abertura do festival. Esta edição do festival mais uma vez aconteceu no Centro Cultural Martim Cererê. Vale ressaltar a logomarca e a arte gráfica do festival, que dessa vez saíram bem caprichadas.
Quatro bandas bem-escaladas trataram de animar a Noite Senhor F. A primeira delas foi o Seven, uma banda local de pouca data, mas que vem adquirindo um respaldo rápido na cena. O trio, formado por músicos virtuosos e competentes, como o baixista Aderson, fez um som instrumental com forte influência de psicodelia, rock 70's, grunge e jazz. Destaque para a barulheira matadora que o guitarrista fazia com seu conjunto de pedais. Depois deles, vieram de Brasília o Beto Só, para mostrar um pop melancólico e intimista, que não tem medo de falar de amor. Entrosados mostraram uma série de belas canções. Porém, infelizmente não cativaram tanta gente quanto ás bandas seguintes.
Do Rio Grande do Sul, o Superguidis veio bem para a sua segunda participação no festival (a primeira foi em 2003). Ao contrário do último show em Goiânia, há poucos meses no festival Rock in Sopa, onde a banda tinha sido prejudicada pelo horário da escalação, desta vez eles puderam tocar para um bom público, fazendo um show classe A, cheio de guitarras alternativas e música com uma boa dose de no-sense, como a ótima "O Veio Máximo". E para fechar a noite, os pernambucanos do Volver, que já tinham tocando no festival Bananada deste ano, mostraram o porquê de serem uma banda em escala crescente. Com muita jovem guarda e retrô 60's, a banda animada e simpática, fez muita gente dançar com 12 músicas, fechando o show ao som de "Mister Bola de Cristal" e provando que se a noites do festival seguirem como a festa de abertura, a expectativa será boa.
Goiânia Noise, sexta-feira, 02 de dezembro
Agora é para valer. A primeira noite oficial do 11º Goiânia Noise Festival, uma edição que marca a segunda década de um festival que colocou Goiânia na cena independente nacional, resistindo aos trancos e barrancos à muitos problemas, como a tradicional falta de apoio financeiro. Dias antes do festival, uma série de debates realizados no SEBRAE de Goiânia, liderados pela Monstro Discos e com a representação do Ministério do Trabalho e de organizadores de festivais em todo o país (Abril Pro Rock, Calango, Mada, Ruído Festival, Goiânia Noise e outros...) selavam a criação da ABRAFI (Associação Brasileira dos Festivais Independentes), trazendo boas perspectivas futuras para a organização e estruturação dessa espécie de eventos.
Musicalmente falando, duas ascendentes bandas locais abriram o evento: The Ugly e Computers. A primeira, que trabalha a melancolia influencia pelo rock britânico, é talvez, a revelação do ano na cena de Goiânia, e talvez, a menina dos olhos do novo selo local BeAcid. A segunda, está nas vésperas de lançar seu primeiro cd, e pode ser considerada uma espécie de "Trail of Dead brasileiro". Fez um show com a tradicional "barulhada guitarreira", com direito a música nova. Junto com o MQN, foi o destaque local da noite. Os Computers já passaram da hora de estar entre os "grandes" de Goiânia. Então, uma banda de fora a se apresentar: os mato-grossenses do Macaco Bong, uma banda instrumental que passeia com fluência pelo jazz e funk até o heavy metal. Pegada competente e um guitarrista malucão foram dois triunfos da banda.
Do Rio Grande do Norte, o Allface, veio com um hardcore fácil, com letras de sentimento, hábil a agradar aqueles que gostam de punk-rock flertado com o pop, e também o emocore. Apesar da descrição, a banda não é ruim. Não se destacaram, mas não fizeram feio. Fizeram apenas o papel deles. Hardcore pesado mesmo, gritado e sem rodeios, quem fez foi o WC Masculino, na seqüência. Também ficaram no normal. O primeiro grande destaque do festival ficou por conta dos pernambucanos do Parafusa, mais uma banda pernambucana de qualidade, a se juntar com outras como Mombojó, Nação Zumbi, Rádio de Outono, Volver, Superoutro ou Astrounatas, e provando que o Estado detém uma das mais promissoras cenas de rock do país. Eles mostraram um som bonito, bem trabalhado e de letras maduras, galgados nas fortes influências de estilos de música brasileira, como o samba, e também de rock mais clássico, das antigas. Bom show.
Então, impulsionado pela fome avassaladora e pela tentação de comprar um cd de promoção do Trail of Dead nas barraquinhas do festival, acabei por perder duas atrações locais: The Rockefellers e Olho de Peixe. A primeira, é a mais nova contratada da Monstro Discos, faz um som muito influenciado por hard rock, southern rock e Hellacopters. Abusam no som, e na pose também. Às vezes até demais. Ouvi relatos de que foi um bom show. A segunda, eu confesso que não tive vontade de assistir, apesar da boa vontade, os caras ainda não me convenceram. Deixemos para lá. Mas o Ludovic eu não perdi. E acho que estaria cometendo um pecado enorme se tivesse perdido. Os paulistas simplesmente desbancaram as mais aguardadas e fizeram o melhor show da noite de sexta-feira. A melhor descrição para o show viria em uma palavra: histeria. A forte sintonia do público, animado a ver a banda, e da banda, animada com um público resultou em um show explosivo, pesado, louco. O público invadia o palco, e a loucura era tanta, que o vocalista, num misto de susto, desabafo, cansaço e emoção, não conseguia completar músicas como "Vane, Vane", "CVV" ou "Servil". Muitas vezes acaba por soletrar as músicas. Mas ninguém parecia se importar. Eles não pareciam se importar. Nem eu mesmo me importei. O Ludovic fala de angústia e sentimento com peso do rock alternativo e do hardcore antigo de bandas como black flag. Fazem tudo que muitas bandas da moda emocore gostariam de fazer e não conseguem. Foi fuderoso.
Se eu falar que o MQN também fez um show fuderoso, eu estaria cometendo um clichê? Se eu falar que o Fabrício incendiava o público que cantava todas as músicas eu estaria cometendo um clichê? Se eu dissesse que eles fizeram o melhor show goiano da noite, eu estaria cometendo um clichê? Fazer o quê, se o MQN se sente bem em casa, e nunca deixa um Goiânia Noise passar em branco? È sacanagem dizer mais. Mais uma banda pesada então, para sacramentar esta como uma das edições do festival mais pesadas dos últimos anos: os capixabadas dos Pedrero. Hardcore bem-feito, divertido, que às vezes brinca com outras influências, como o metal de "Heavy Metal Night". Tiveram boa receptividade, e fizeram uma série de punks cantar com eles sua versão de "Dá para Mim", do Polegar, na renomeada "Menudo Capixaba". Outro show bacana. Foram seguidos pelo Hang the Superstars, que acabam de lançar um cd novo. E podem ser aplicados ao exemplo do MQN, com um pouco menos de intensidade, claro.
O Forgotten Boys, embora não fosse a atração principal da noite, era, para alguns, a mais esperada. O trio veio de São Paulo para fazer aquilo que todos conhecem e eles sabem bem: rock¿n roll, especialmente o garageiro/punk rock. Tocaram alguns clássicos e músicas do novo disco "Stand by the DANCE". Não foram um grande destaque dessa vez, talvez pela concorrência pesada que enfrentaram, mas é sempre um bom show para se assistir, eles fazem bem feito. Já o Wry fez o segundo melhor show da noite. Sorocabanos que há anos moram na Inglaterra tentando a sorte musical, eles voltaram ao Brasil em novembro e dezembro para uma série de shows, e assim acabaram fechando essa noite do GNF. A banda tocou muitas músicas do novo disco "Flames In The Head", sem desprezar algumas antigas do "Heart Experience", lançado na época em que ainda viviam no Brasil. Cada vez mais influenciada pelo rock 80¿s, mas ainda bem alternativa, a banda fez um show competente, que foi válido para quem esperou até tarde para vê-los. Muita sorte para eles no exterior. E para nós, nos próximos dias de festival.
Goiânia Noise, sábado, 03 de dezembro
Mais uma noite do Goiânia Noise festival, que começou, como nos demais dias, sem grandes atrasos, com as bandas locais Vó Delmira e Señores. Para mim, ela começou de fato com a terceira banda, os tocantinenses do Baba de Mumm-ra. Se fossemos escolher a banda de melhor nome do festival, com certeza eles ganhariam disparados. E a criatividade não estava só no nome. Eles arrancaram boas risadas, principalmente através do seu vocalista, que estava vestido com um "papa do mal" e utilizando uma máscara de porco. No intervalo das músicas, ode a Judas Scariotes, e rasgação dos pôsteres da Sandy e do Papa Bento XVI. Teve também sangue postiço "a lá Kiss". Foi um verdadeiro espetáculo visual, guiado pelo trash metal pesado da banda. Na direção oposta, os mato-grossenses do Revoltz vinham mostrar um rock alternativo com boas doses de powerpop, a mostrar que a cena do estado deles também é outra em grande e merecida ascensão. Músicas como "Hey You" e "Mr. White" faziam pular, enquanto o vocalista anunciava que a tecladista deles era a primeira "índia indie" do Brasil.
Então foi a vez da banda local NEM. E antes que vocês digam "Ah Nem", como muitas vezes eu mesmo disse, afinal confesso que achava o som da banda meio enfadonho, é preciso que prestemos atenção na banda com bastante calma. O som mudou. Desde que a banda optou por seguir como um trio, há pouco mais de um ano, o NEM tem seguido um novo direcionamento, cada vez mais flertado com o pop. O NEM hoje é outra banda. E, viva, estão bem melhores. Também goianos, o Desastre veio tocar o peso consagrado de uma das mais respeitadas bandas de punk-rock old-school da região. E de São Paulo, os Ecos Falsos, uma banda de difícil definição dada a variedade de gêneros com que trabalham. A banda mostrou pique, e agradou alguns presentes com músicas como "Sobre Ser Sentimental".
No palco intercalado, adentrava uma banda onde todos os integrantes estavam vestidos com capuzes pretos, e providenciando uma porrada que sacramentaria um show espetacular. O Kratera, de Santa Catarina, também conhecida como a banda do ex-VJ da MTV Gastão Moreira, veio com um som pesado, distorcido, balanceado, com influências de grunge, hard rock e stoner rock. Quem conduzia a banda era a vocalista Thanira, dona de um vozeirão forte e de uma presença firme. Cabeças estavam batendo felizes nesse show. Mais uma vez, contra-balanceando o peso, os goianos do Barfly vinham como atração seguinte, mostrando o seu rock-pop-britânico cantarolável. A banda fez um repertório baseado nas canções do novo disco, que em breve deve estar saindo pelo selo Monstro Discos, e desta vez trabalha com influências mais variadas como até mesmo o folk. O show fechou em grande estilo com um cover de "Black Rebel Motorcycle Club", e com a nova "Daylight". Foram seguidos pelos gaúchos do Sonic Volt, que mostraram um stoner rock bem-feito, mas não com a desenvoltura do Kratera.
A necessária "pausa para o rango" foi dada durante os shows do Tomada e Trissônicos, então agora era hora daqueles que viriam a ser os dois melhores shows da noite de sábado, e até então, do festival: Zumbi do Mato e Violins. A primeira banda, é um caso à parte. Os cariocas, que já tem mais de 10 anos de estrada, vieram ao festival graças a uma brincadeira que começou no Orkut, onde o grande barato era pedir por um show do Zumbi do Mato, em todas as comunidades goianas de rock. Até mesmo quem não conhecia a banda, pedia um show deles. E assim a Monstro Discos atendeu. Sorte Nossa! A banda é diversão garantida, anima até depressivos, ranzinzas e impotentes. O vocalista Löis Lancaster por si só já garante metade do espetáculos. Vestido de bermudas, e com uma cara de "tio que fugiu do hospício", ele fazia performances faciais típicas de um comediante clássico. A banda, tocava sem sincronia alguma, no melhor estilo "tosco pride" de ser, e assim seguiam-se canções de humor irremediáveis, sejam de piadinhas sexuais, de ironia política fina ou plena tiração de onda. Canções como "Potinho de Anhanha", "Primo Pobre do Kassin", "Buraco do Jabor", "Peidão" e "Espírito do Rato", eram acompanhas pelo público em um caderninho de letras entregue pela banda, e devidamente cantada por muitos animados. Ia ser difícil bate-los no Goiânia Noise. Quem não viu, perdeu. E depois da risada, os sentimentos. Mas com peso. O Violins fez um show realmente pesado, favorecido pela regulagem do som, provando que é possível tocar o coração e bater cabeça ao mesmo tempo. Dessa vez, tudo correu bem para a banda, ao contrário de muitos outros festivais anteriores, onde eles sempre eram supreendidos por algum tipo de imprevisto. Estreiaram o novo baixista Thiago, e mandaram no repertório músicas do disco ¿Grandes Infiéis¿, além de "Auto-de-Fé", do disco anterior. Foi um show impecável, e não é por menos que eles são hoje a banda goiana de maior destaque no rock independente brasileiro, sendo bem-recebidos por onde tocam. Para fechar a noite de sábado, foi a vez dos paulistas do Zumbis do Espaço, com seu rock/punk-rock/hard rock de anos de estrada. Entretanto, confesso que achei o show um pouco cansativo. Acho que ainda estava de "baque" das duas apresentações anteriores. Era hora de ir para casa, afinal a maratona ainda não tinha acabado. Faltava mais uma noite.
Goiânia Noise, domingo, 04 de dezembro
Domingão. Enfim a última noite da longa maratona do Goiânia Noise, quando os corpos já pedem descanso, mas a sua mente não se cansa dos shows. Mais uma vez após perder as duas primeiras atrações locais do Just Another Fuck, além do Réu e Condenado, cheguei para ver duas bandas de hardcore: Pulso e Dead Smurfs. A primeira, de Brasília, tinha a sua formação composta por 75% de mulheres, que faziam o hardcore tradicional sem grandes delongas. Já a segunda, de Minas Gerais, botava mais peso na massa, guiada pelo vocalista que parecia o "Daniel-Sam", vestido com uma bandana vermelha e distribuindo chutes para os lados. Depois foram as vezes dos goianos do Ressonância Mórfica e dos paulistas do Miguelito Cochabamba, mas confesso que não tive paciência para ambos. Devia ser o cansaço.
O primeiro show que eu assisti inteiro no domingo foram dos também goianos do Valentina, que estreiava um novo baterista. Rock alternativo de primeira linha, glam, 80's, guitarras afiadas, vocalista com a sempre boa presença de palco. Uma banda de grande potencial, que atingiria níveis altíssimos caso se profissionalizassem mais ou fizessem uma melhor divulgação de seu trabalho fora de suas fronteiras. Outra banda goiana vinha na seqüência: o Resistentes, e seu punk-rock competente. Então era a vez do Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, os mais novos queridinhos da cena musical da baiana, e vencedores de sua etapa local do festival "Claro que é Rock". E mostraram o porquê de tanto falatório. A banda conta com músicos excelentes, melodias bem trabalhadas e letras bem feitas, que sabem intercalar bem rock'n roll e influências brasileiras. Fica difícil por defeito na banda.
O Mechanics apareceu na hora do meu lanche dessa vez. Uma pena. Eu bem queria ver a banda do Márcio Jr, mas fica para a próxima. E assim como na noite anterior, os dois melhores shows de domingo também vieram seguidos: La Pupuña e Rollin' Chamas. O La Pupuña veio de bem longe, mais especificamente do Pará, para salvar o domingo de ser um dia morno no festival. Devidamente caracterizados como se estivessem em uma praia do Hawaii, com roupas floridas e chinelas havaianas, os caras mandaram um som bastante dançante, com influências de música latina, surf music, musica regional, rock, jazz e até mesmo lambada. As pessoas se divertiam e dançavam muito, a ponto de transformar o teatro num verdadeiro "carnaval". Houve uma episodio infeliz em que um cara atirou uma lata no palco, mas nem isso estragou o clima e o show. Mas fica um aviso para os organizadores: não é a primeira vez que isso acontece, e isso é feio para a cena. Quanto ao Rollin' Chamas...bem, vamos ao próximo parágrafo.
Parece que foi ontem que eu assisti o Rollin' Chamas estreiar no Festival Bananada do ano passado, abrindo a noite, e arrancando risos de alguns poucos presentes com um show divertido onde até se jogava videogame e ofereciam churrasco no palco. Um ano e pouco depois, o Rollin' Chamas é a última banda goiana a tocar no festival, e foi também, a mais celebrada delas. O público, insandecido, cantava todas as canções do seu primeiro cd, lançado há pouco tempo, e banda divertia os presentes com as mesmas boas piadas, fantasias, da presença de palco absurda do vocalista Fal, e até bolo de aniversário. Mamonas Assassinas de Goiânia? Talvez. Showzaço. Então era a vez dos pernambucanos do Eddie mostrar seu som classe A, galgado no samba e na música brasileira. Não se destacaram mais por terem sido ofuscado pelas duas bandas anteriores, mas fizeram bem o seu papel. Já o Cólera, clássica banda punk brasileira, de anos e anos de carreira, foi escalada para fechar o festival. Sobre o show? Bem, a esta hora eu estava em casa. Afinal, era domingo, e enfim, como não dá para viver só de rock, segunda eu tinha de trabalhar.