Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
ICQ - 34383293
MSN - chchcobain@hotmail.com
Capitalismo Selvagem ou Capitalismo Brega?
Capitalismo. Oferta. Procura. Mercado. Bolsa. Negócios. Marketing. Propaganda. Divulgação. Lucros. Investimentos. Retorno. Prejuízo. Dinheiro.
As palavras acima, tão comuns para nós são alguns dos vários conceitos que poderiam ser tratados quando falamos de economia atual. E falar de economia é falar de capitalismo. E o capitalismo, como todos já sabem, segue escala ascendente desde a Revolução Industrial. Mas o assunto aqui não é história.
O capitalismo toma partido, invade, transforma quase tudo em negócio. E não há como escapar disso. Ter credibilidade faz parte dos negócios. Assim, uma boa imagem de uma empresa, marca, pessoa ou produto tornam-se vitais para o bom andamento de qualquer negócio.
Divulgação e marketing se transformam em estratégias de sobrevivência. Aí entram as famosas propagandas, flyers, outdoors, folders, cartazes, mídia ou qualquer forma de se divulgar um determinado negócio. Tão ascendentes quanto o capitalismo, os meios de divulgação tomaram as ruas, a internet, a televisão, os eventos, e até mesmo o esporte. E foram ficando cada vez mais ousados, até tomarem... o meu prédio.
Há cerca de três anos atrás, o então síndico do meu edifício decidiu que seria uma boa idéia aceitar a proposta de uma empresa que queria se utilizar do edifício onde eu moro como um meio de divulgação, uma vez que vivo no centro da cidade, em uma das ruas mais movimentadas de Goiânia, por ser uma rua comercial. Segundo o síndico, o espaço cedido pelo nosso edifício nos renderia um bom dinheiro, que ajudaria a abater um pouco do valor das contas do condomínio. O patrocínio foi aceito, mas o abatimento da conta de condomínio não foi bem o esperado. "Resolvemos encaminhar o dinheiro para reformas", dizia o cretino, quer dizer, dizia o nosso então síndico. E assim, uma das laterais do meu edifício tinha sido completamente pintada de verde, com uma logomarca bem grande escrita "Papelaria do Estudante".
Um detalhe a ser citado, é o de que a tal papelaria "patrocinadora" se localizava na quadra da frente do nosso edifício. Então resolveram logo em baixo da logomarca da papelaria desenhar uma enorme seta que, penso eu, deveria estar apontado para a papelaria localiza em frente ao edifício. Fato é que tal seta, um pouco mais inclinada para a diagonal do que deveria, parece apontar para...a janela do meu apartamento. Ou melhor, a janela do meu quarto. Não sei quem foi o esperto que idealizou o desenho, mas espero que não pensem que isso aqui é uma papelaria.
Assim, o tempo se passou, e nos acostumamos com o desenho, a ponto de às vezes tentar imaginar que aquilo faz parte da decoração do edifício. Muitas vezes eu me perguntava quando chegaria um próximo síndico que também teria a idéia de "vender" o espaço da outra lateral do edifício. E esse dia chegou, sem que eu chegasse a saber do assunto. Fui saber quando, numa bela tarde da semana passada, eu estava voltando de uma reunião da faculdade, e bem de longe avistei um enorme cartaz, que por sinal era um cartaz bastante chamativo.
Dois homens em uma estrada. Um agachado, e o outro com o violão sobre os braços. As roupas que vestiam eram dignas de um cruzamento dos Backstreet Boys com os filhos de Francisco. Feios o suficiente para transformar qualquer medusa em pedra, os dois homens ilustravam o cartaz. E esse cartaz, adivinhem onde estava... Sim, na outra lateral do meu edifício. E o cartaz era ainda maior que o desenho anterior da papelaria. Em seu topo, um letreiro de destaque exibia: "Nerildo e Nerivan". A primeira coisa que eu pensei ao tomar o susto: "Espero que dessa vez tenham pago em dólar, e adiantado". Eu sempre soube que o capitalismo era assim, selvagem. Só não sabia que ele podia ser tão brega às vezes... Que fique claro, que, para todos os efeitos, eu não moro mais no Edifício Clara de Lourdes. Eu estava só visitando uns amigos.
Eles não fizeram o melhor show do CRF. Mas sempre quando vejo as fotos da apresentação deles eu sinto uma espécie de arrepio. Um clima surreal, um mundo zen conduzido pela banda, instrumental instrospectivo, frases de impacto e imagens hipnóticas no telão. Mais do que isso, uma série de lembranças relacionadas aos momentos da apresentação e aos momentos que a sucederam às vezes me pegam desprevinidos....
"And when I'm alone and scared
I think of little rhymes
They would make no sense to you
But I make them all the time
And time's all mine"
(Little Rhymes)
GOIANIA
Goiânia, fundada em 24 de outubro de 1933 por Pedro Ludovico Teixeira. A cidade, que hoje completa 72 anos é também a capital do Estado de Goiás, figurando entre as capitais mais novas do país, juntamente com Palmas e Brasília.
Inicialmente projetada para 50 mil habitantes, a cidade expandiu-se a partir do Centro e hoje conta com quase 1,5 milhões de habitantes.
Muitas de suas ruas são nomeadas com números ao invés de nomes, uma característica comum em cidades mais novas, que visa facilitar a memorização e a localização das pessoas pela cidade.
Goiânia foi considerada no final da década de 90, junto com Curitiba, uma capital ecologicamente correta, dada a grande quantidade de paisagens verdes e arborização pela cidade.
Em uma pesquisa recente pesquisa da FGV, foi considerada também a segunda capital do país em qualidade de vida. O primeiro lugar ficou com Brasília e o terceiro com Porto Alegre.
Goiânia é também uma das cidades com o maior número de carros por habitantes do país, o que não é nada bom para o trânsito da cidade. Claro que essa distribuição não é uniforme. Aqui em casa só temos um. Pouco utilizado por sinal.
Não apenas o trânsito, mas o transporte também tem sido um grande problema da cidade, vitimado por muita politicagem nos últimos anos. A tarifa de ônibus na cidade hoje é fixa em R$ 1,80, um valor que pode ser considerado alto em relação a outras cidades, se compararmos a extensão das linhas de ônibus em Goiânia, que não são tão largas assim.
Em termos de política, a preferência dos habitantes tem se mostrado inconstante. Nos últimos 10 anos, PSDB, PT e PMDB já administraram a cidade. Mas dada às falcatruas da prefeitura atual, pode-se concluir que os goianienses ainda não aprenderam a desenvolver senso crítico suficiente para votar. Íris Rezende, Darci Accorsi e Delúbio Soares que o digam.
No final dos anos 80 e inicio dos anos 90, a cidade ganhou o título de capital country do país, dada a enorme quantidade de duplas que a cidade exportava para a música sertaneja nacional. Eis então que um grupo de pessoas resolveu literalmente dar uma "banana" para esse título há 12 anos atrás, montando a Monstro Discos, hoje o maior selo de rock independente do país, com bandas como Sapatos Bicolores, Autoramas, Walverdes, MQN, Violins, Brinde, Irmãos Rocha!, Relespublica, Wry, Astronautas e outras mais. A Monstro Discos, juntamente com uma série de bandas e selos como a "Two Beers or Not Two Beers" e a "BeAcid", começou a semear o rock local com uma série de festivais e eventos, transformando a cidade em um dos pontos de rock independente do país.
Bandas como Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Valv, Matanza e Daniel Belleza já disseram sobre a receptividade da cena da cidade em publicações de rock nacionais. Estima-se que há quase 300 bandas de rock independente em Goiânia hoje. Essa cena ainda não é suficiente para ofuscar completamente a imagem country, mas já adquire um certo respeito.
E a parte cultural não se resume em música, mas também teatro, dança e cinema são semeados por iniciativas muitas desprovidas de apoio governamental ou privado. Há eventos consideráveis como: Goiânia Noise Festival, Bananada, Festival Vaca Amarela, Anti-Música, Hard Amp, Goiânia Mostra Curtas, Goiânia em Cena, Festival de Cinema "O Amor, A Morte e As Paixões" e outras mais. Mas ainda há muito a se fazer para que a cultura da cidade possa, no mínimo, adquirir um patamar ideal. Há decifiências em pontos importantes.
A cidade, com o passar dos anos foi povoada e sofreu influência de diversos estados do país, como dos nordestinos que trabalhavam na construção de Brasília e fixaram residência em Goiânia, ou os gaúchos e paranaenses que vieram montar negócios ou fazendas na irremediações da cidade, especialmente nos anos 60. Entretanto, os mineiros e paulistas que vieram à cidade foram os que deixaram traços mais fortes na cultura local.
Em Goiânia a cultura é também muito influenciada pela presença de habitantes provenientes de cidades interioranas do Estado, que migraram para a capital. Como a cidade ainda é relativamente nova, com cultura em desenvolvimento, esses costumes interioranos acharam um ponto a se fixar. Goiânia às vezes parece uma capital com traços de cidade do interior, o que torna seus costumes, de um modo geral, um pouco conservadores. Mas isso tem mudado um pouco, e tende a mudar mais com o processo de urbanização maior ao decorrer dos anos.
Também é herdada do interior do Estado determinadas características culinárias da cidade. Pamonha, Pequi e Empadão Goiano são considerados alimentos típicos da região. De Pequi eu tenho pavor. Mas os outros dois eu recomendo.
Goiânia é conhecida também por abrigar os maiores especialistas em oftalmologia do país. Entretanto eu continuo aqui com seis graus de miopia.
Como uma cidade qualquer, a noite goianiense oferece restaurantes, pizzarias, boates ou festas. Entretanto os mais procurados, sem sombras de dúvidas, são os botecos. O goianienses também têm o costume de freqüentar os Pit-Dogs pela madrugada, especialista em oferecer sanduíches em um ambiente trash-cool.
O esporte local ainda é um ponto a desenvolver. Há 4 times de futebol na cidade. Os dois mais tradicionais são o Goiás e o Vila Nova. O primeiro, na elite do futebol nacional, é , junto c/ o São Caetano, o único clube do país a pagar os salários e contas todas em dia, tendo uma estrutura organizada e bastante referenciada. Já o segundo só passa vergonha.
Goiânia, em 13 de setembro de 1987, foi alvo da atenção do mundo todo devido ao acidente radioativo com Césio 137. Nesse mesmo ano, meus pais tornaram a Porto Alegre, onde eu vivi por alguns meses, retornado a Goiânia no ano seguinte.
Goiânia é a cidade que mais exporta estudantes para outras universidades do país. Há uma chamada "máfia do ensino" muito grande por aqui. De duas em duas quadras é possível ver um cursinho ou uma faculdade. Há mais ou menos 30 faculdades em Goiânia, das quais umas 28 deveriam ser no mínimo fechadas. Nota F nelas.
Avenida 85, Av. Tocantins, Av. Paranaíba, Av. 24 de Outubro, Av. Goiás, Av. Anhanguera, Pq. Areião, Pq. Vaca Braba, Bosque dos Buritis, Centro de Convenções, Martim Cererê, Teatro Goiânia, Teatro Rio Vermelho, Estádio Serra Dourada, Pça. Universitária, Pça do Avião, Feira do Sol, Feira da Lua...
Eu e o meu irmão somo os únicos goianienses em uma família onde todos são gaúchos. Quando crianças eu não gostava de ser goianiense, sentia raiva por ser diferente na minha família. Já quando adolescente, eu não permitia jamais que falassem mal da minha cidade querida, a defendendo sempre que possível. Hoje, tenho uma relação de altos e baixos com ela.
Ultimamente venho pensando em me mudar, seguir novos rumos e destinos que jamais conseguiria ter por aqui, sinto essa necessidade. Entretanto, muitas vezes me pego encantado com algum aspecto de Goiânia. Seja como for, não dá para esquecer que 22 anos de minha vida foram passados nessa cidade, que sim, é um lugar bacana a se morar. Se meu futuro será ou não aqui, um breve tempo vai dizer.
Parabéns, Goiânia
Dada a pergunta feita no post do documentário "Música de Trabalho", aqui vai minha sugestão para as dezesseis bandas de uma segunda edição do filme, caso viesse a acontecer:
Barfly(GO)
Bionica(SP)
Canastra(RJ)
Computers(GO)
Flaming Moe(SP)
Jumbo Elektro(SP)
Móveis Coloniais de Acaju(DF)
Radio de Outono(PE)
Relespublica(PR)
Sapatos Bicolores(DF)
Superguidis(RS)
Superphones(RS)
Valentina(GO)
Vanguart(MT)
Volver(PE)
Zefirina Bomba(PB)
MUSICA DE TRABALHO
Sobreviver no rock brasileiro não é para qualquer um. Em se tratando do "rock de paixão" da cena independente, que ferve de bandas, selos e festivais que fogem as regras do grande mercado e seguem muito bem a cartilha do "faça você mesmo", a sobrevivência é ainda mais complicada. Financiar shows e gravações por custo muitas vezes do próprio bolso, tocar para públicos desconhecidos e lugares pequenos, intercalar música com atividades de sobrevivência....Tarefas comuns para algumas bandas, que assim são caracterizadas como independentes, em pequenas cenas que crescem e se organizam a cada dia mais, trazendo com elas uma leva cada vez maior de bandas com diferentes trabalhos, provenientes de diferentes localidades.
A cena independente brasileira, de uma forma geral, não chega a ser auto-sustentável, mas leva consigo um bom número de participantes, público, colaboradores, iniciativas, eventos e localidades. E com toda razão, pois não há como negar que muito do que é feito de melhor em termos de música pop brasileira está na independência, seja pela diversidade, seja pela sinceridade dos trabalhos livres dos compromissos de "mercado". E se essa cena é algo tão interessante, por quê não fazer um registro dela? Essa foi a idéia de Daniel Dias, no início de 2002, quando resolveu produzir o documentário "Música de Trabalho".
"Música de Trabalho" é um documentário, lançado em 2003, dirigido por Daniel Dias, hoje vocalista da banda paulistana Headphone, e também produzido pelo mesmo em parceria como selo goiano Monstro Discos. O documentário é um registro de 80 minutos que tenta mostrar um pouco da cena musical independente do Brasil, ao acompanhar um pouco da rotina de dezesseis bandas diferentes, vindas de sete cidades distintas. Assim, de uma maneira mais dinâmica muitos dos caminhos dessa cena se mostram claros no filme, que juntamente da boa trilha sonora dos "protagonistas" e de entrevistas com pessoas especializadas e ligadas à esse meio, torna-se um documentário indispensável para todos aqueles que realmente "amam o rock", como diz o esperto Carlinhos (Bidê ou Balde). Até porquê, esse é o primeiro filme a tratar do assunto no país.
As dezesseis bandas participantes do "Música de Trabalho" são:
Ambervisions (SC)
Detetives (SP)
Faichecleres (PR)
Forgotten Boys (SP)
Hang the Superstars (GO)
Leela (RJ)
MQN (GO)
NEM (GO)
Phonopop (DF)
Prot(o) (DF)
Réu e Condenado (GO)
Thee Butcher's Orchestra (SP)
Valv (MG)
Violins (GO)
Walverdes (RS)
Wry (SP/UK)
Os entrevistados e participantes especiais do filme são:
Lobão, Fábio Massari (ex-MTV), Lúcio Ribeiro (Folha de São Paulo), John (Pato Fu), Phillipe Seabra (Plebe Rude), André Cagni (Dynamite), Fernando Filho (Rock Brigade), Fernando Rosa (Senhor F.), Ana Butler (MTV), Pablo (MTV), Léo Bigode (Monstro Discos), Eduardo Ramos (Slag Records), Fernanda (Motor Music), Ricardo (Fan Music).
Dada a dica do filme, que muitos já viram, e que, quem não viu deve ver, eu agora pergunto:
Se fosse ser feita uma nova edição do filme "Música de Trabalho", em 2005, que bandas você acha que deveriam ser convidadas a participar do filme?
Receber essa imagem no meu msn foi a prova definitiva de que 90% dos meus amigos(as) são malucos. O que eu acho disso? Acho que estou escolhendo muito bem minhas amizades! \o/
SAUDOSISMO
Um questionamento do saudosismo em três exemplos.
O Pelé faria mesmo mais de mil gols se jogasse futebol nos dias de hoje?
Honestamente, acho bem difícil. Nas partidas futebol nos anos 50/60/70, placares com marcas elevadas, do gênero 6 x 4, 5 x3, 7x 2, por exemplo, eram comuns. Aconteciam, em média, um grande número de gols por partida devido à baixa preocupação tática, defensiva, distributiva. Os esquemas defensivos não eram tão rigorosos como nos dias de hoje, a marcação não era tão cerrada nem mesmo especializada. Não havia cartões amarelos/vermelhos nas partidas, tendo assim um número menor de interrupções de jogada e maior de bola em jogo. Os adversários não estudavam tanto os oponentes antes da partida, e o futebol não era tão desenvolvido nos quatro cantos do planeta.
Você imaginaria, em 1958, a Coréia do Sul em terceiro lugar de uma copa do mundo com o em 2002? A Honduras ganhando do Brasil? A Venezuela indo bem nas eliminatórias como hoje? Com a preocupação tática, as marcações especializadas, o desenvolvimento e o profissionalismo do futebol, acho que é uma grande bobeira esperar um novo Pelé nos dias de hoje. Sem desmerecer o grande rei, mas o Felipão tinha razão: Naquela época se amarrava cachorro com lingüiça, mesmo. Então é um equivoco dizer que os jogadores daquela época eram melhores, ou até mesmo, piores que os da atualidade, já que é impossível uma comparação com características igualitárias. São épocas diferentes do futebol.
Quando vão surgir os "novos Beatles" ou superbandas que vão chacoalhar história do rock?
Papo favorito dos críticos. Em termos de euforia, até que algumas boy bands e rockstars conseguiram e vão conseguir, realmente, causar manias e ataques histéricos de fãs de parar o trânsito. Mas nada que se compare à beatlemania. Basta conferir os DVDs da série Anthology. A beatlemania era realmente de parar os lugares por onde o quarteto passava. Em termos musicais, a coisa fica mais complicada. Os garotos de Liverpool inovaram. E muito. Citar todas as inovações que os caras trouxeram ao mundo musical consumiria no mínimo três posts inteiros. No mínimo um só para o "Sgt. Peppers...". E assim, além do quarteto britânico, bandas como Ramones, Beach Boys, Black Sabbath, Kraftwerk, Pixies e tantas outras também vieram a acrescentar na música das última décadas. E o que se viu foi cada vez mais inovações: bossa nova com eletrônica, punk rock com música clássica, heavy metal com world music, e assim por diante. Muito foi experimentado até chegarmos em um ponto onde hoje é cada vez mais difícil inovar, e a principal atividade tem sido recriar.
Qualquer banda clássica citada no parágrafo acima provavelmente não causaria um boom muito grande em 2005, onde se criar algo novo é cada vez mais difícil. Em uma época onde internet, programas P2P e mp3s disponibilizam todo o tipo de música possível, proveniente dos quatro cantos do planeta, se destacar também é uma missão árdura, ainda mais com tantos concorrentes e tanta diversificação. Então, não faz sentido dizer que as bandas contemporâneas são melhores ou piores que as bandas de décadas atrás. São apenas diferentes, onde umas se mostram mais especiais que as outras em suas respectivas épocas, mas sempre com as influências e as limitações dessa época ou período a qual habitou.
Por quê os movimentos estudantis dos dias de hoje não saem às ruas a brigar por seus direitos com a força de décadas atrás?
Outro exemplo clássico de "influência do meio". Como esperar que os jovens brasileiros de hoje dêem o mesmo valor à liberdade de expressão do que os jovens dos anos 60/70 se essa liberdade nunca lhes foi tomada? Eles não cresceram vendo atrocidades cometidas por ditaduras militares na América Latina, nem muito menos viram sua democracia ser tomada. Logo, não sobra muito a esses jovens, que senão lidarem com escândalos políticos. Não que seja desinteresse, mas eles não adquiriram o hábito, não sentiram as necessidades de contestação que seus anteriores sentiram. Não há de se esperar que contestem tanto quanto um movimento hippie ou um movimento de defesa da mulher dos anos 70. Muitos tabus já foram quebrados, muito preconceito já foi diminuído. Claro que ainda há muito a se fazer, mas certamente hoje temos um ambiente social mais organizado.
Um exemplo oposto seria esperar que os jovens de antigamente tivessem o raciocínio dinâmico dos jovens da atualidade, que vivem na era do excesso de informações, veículos de comunicações dinâmicos e internet. Ou seus pais acompanham seu ritmo de atividades e raciocínios? Acho difícil. Então voltamos ao argumento já citado nos exemplos anteriores. Não dá para negar que as atitudes dos seres humanos são influenciadas do meio em que vivem (tal afirmação já foi motivo de estudo de Psicologia Comportamental, Teoria Evolutiva, Filosofia Clássica, Teoria de Gestalt e tantas outras áreas do conhecimento humano...).
Sei que isso tudo pode ser uma decepção aos mais saudosistas, mas seus heróis não sobreviveriam à vida do século XXI. Nem muito menos os nossos heróis sobreviveriam ao passado. Não é uma questão de superioridade e sim de diferenças. Cada período de anos tem seus heróis, violões e coadjuvantes que melhor conviram com a sua respectiva época. E se o resultado não é interessante, a culpa pode não ser apenas das pessoas. Os conceitos morais e o meio mudam, mas o ser humano....
WINAMP PLAYLIST
Stratopumas - O melhor dia da sua vida
Toad the Wet Sprocket - Come Back Down
Toad the Wet Sprocket - Something to Say
Unchronics - Waiting For The Silence
Vamoz! - Rock Me
Weezer - Perfect Situation
White Stripes - Maps (Yeah Yeah Yeahs Cover)
Violins - Ok Ok
Wilco - Jesus, etc
Vanguart - Rainy Day Song
Zefirina Bomba - O Que Eu Não Fiz
Superguidis - Riffs
Ramirez - Alguém Melhor
Death From Above 1979 - Romantic Rights
Gorillaz - Feel Good Inc.
Smashing Pumpkins - Ava Adore
Green Day - Wake Me Up When September Ends
Suede - Beautiful Ones
Kaiser Chiefs - Born to Be a Dancer
Ozma - Baseball
Udora - Phantom Limb
Aqualung - Gentle
Ash - Evil Eye
Astromato - Aqui
Astronauta Elvis - Venise
Badly Drawn Boy - Silent Sigh
Barfly - She Holds
Beatles - Sgt. Peppers Lonely Heart Clubs Band
Raveonettes - Beat City
Pitty - Anacrônico
Rádio de Outono - Sabe Tudo
Cat Power - Top Expert
Bikini Kill - Rebel Girl
Brendan Benson - Folk Singer
Broken Social Scene - Almost Crimes
Sparta - Cut Your Ribbon
INDIEÔMETRO
Uma das coisas mais engraçadas a circular pela internet é a música "Alguém Aí", do Ponto Chic, que pode ser chamada também de "O Grande Hino Indie", cuja a letra identifica alguns dos maiores clichês dos amantes do gênero. Abaixo segue a letra da canção. Façam o teste de com quantos aspectos da letra você se identifica, e assim temos o seu "Indieômetro". Quem estiver interessado na mp3, pode me pedir no MSN.
(Ponto Chique - Alguém Aí)
Alguém aí conhece o Lariú
Alguém aí se chama Billy Buddy
Alguém aí assina mailing list
Alguém aí já recebeu o Next
Alguém aí já comprou na Velvet
Alguém aí conhece Cigarrettes
Alguém aí sonha em ser DJ
Alguém aí já foi no London Burning
Alguém aí é membro do Maybees
Alguém aí já tocou com Pullovers
Alguém aí tem o CD do Strokes
Alguém aí assiste Lado B
Alguém aí já fez seu próprio zine
Alguém aí conhece algum Custódio
Alguém aí lê os contos do Takeda
Alguém aí curte rock gaúcho
Alguém aí escuta o Garagem
Alguém aí lê o Folhateen
Alguém aí sabe do Lúcio Ribeiro
Alguém aí assiste seriado
Alguém aí fala "tu" e não é gaúcho
Alguém aí já foi no show do Stellar
Alguém aí curte Sonic "Iuti"
Alguém aí já fez um democlip
Alguém aí já foi na Galeria
Alguém aí tocou no Alternative
Alguém aí sonha com o Retrô
Alguém aí já vomitou na Torre
Alguém aí sabe onde é Goiânia
Alguém aí conhece o Mario Bros
Alguém aí ainda compra K7
Alguém aí cadê a Showbizz
Alguém aí já morou em Porto Alegre
Alguém aí sonha em ir pra Londres
Alguém aí curte post rock
Alguém aí já leu CardosOnline
Alguém aí conhece o James Iha
Alguém aí tem seu próprio blog
Alguém aí paga consumação
Alguém aí gosta de Belle & Sebastian
Alguém aí grava CD-R
Alguém aí compra ingresso antecipado
Alguém aí já leu Trabalho Sujo
Alguém aí compra single em vinil
Alguém aí conhece o Pimpão
Alguém aí se considera indie
Se considera indie?(8x)
REFERENDO/REFORMA
Como todos sabem, dia 23 deste mês é a votação do referendo sobre o comércio de armas e munição do Brasil, onde os cidadãos devem votar SIM ou NÃO à seguinte pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?".
Tenho minha opinião definida no dito referendo, porém este não é o objetivo maior do post, até porquê esse é o típico embate que dificilmente vai chegar em um ponto de intersecção, afinal de contas às opiniões das pessoas são definidas, controversas e complicadas. De qualquer forma, espero que vocês não se levem por base nas propagandas do referendo mostradas na TV. Você decide: Globo (sim) ou Veja (não)? Argumentos vazios, exemplos isolados, dados confusos, apelações baratas. Ambas as propagandas, tanto a do SIM quanto a do NÃO são lamentáveis. Não sou um publicitário para opinar com grande precisão, mas acho que algum há de convir comigo. Entretanto, para sanar uma curiosidade que tenho, qual a opinião de vocês sobre o referendo?
Segundo consta, o governo brasileiro investiu 600 milhões de reais entre gastos de marketing, deslocamento e estrutura para que a votação do referendo seja realizada (esse dado pode ser facilmente conferido em vários veículos de comunicação ao se fazer uma busca precisa no Google). A causa é importante, e manifestação de democracia também, mas seria realmente necessário tudo isso? Há quem defenda que esse dinheiro poderia ser melhor aplicado em investimentos particulares da segurança pública nacional, ou talvez até em outras prioridades. E faz um pouco de sentido.
Enquanto isso, entre referendo, CPIs, shows exibicionistas e irresponsabilidade da oposição, escândalos do governo e eleição da Câmara, a tão necessária reforma política encontra-se parada. Trata-se de um assunto que atinge conseqüências maiores do que podemos calcular a uma primeira vista. O Brasil é um dos países que mais gasta com propaganda política. Showmícios, super produção de comerciais, diversos tipos de divulgação de mídia, brindes, artistas famosos, grandes alianças, financiamento de grandes empresas, caixa dois... Uma enorme quantidade de dinheiro é investida nas campanhas eleitorais, em propagandas que fogem do objetivo e do foco central de nossos interesses. Alia-se isso à péssima distribuição do horário gratuito, e temos sim, uma piada eleitoral gratuita. Ganha geralmente quem mais investe. E quem investe, certamente não vai investir sem que isso lhe proporcione retorno. As conseqüências, a gente recebe nos quatro anos seguintes, seja no executivo, seja no legislativo. E com certeza, essas conseqüências vão bastante além da questão do desarmamento. O que não quer dizer que esta não seja importante.