Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
ICQ - 34383293
MSN - chchcobain@hotmail.com
Sexta-Feira, 23 de setembro, Motorrad, Curitiba.
Nada mais óbvio do que começar a descrição da minha jornada pela capital paranaense na sexta-feira, data em que eu cheguei a Curitiba. Porém, antes de mais nada, peço desculpas pelo caráter resumido das minhas descrições que se seguirão, mas dado ao meu cansaço físico (já que ainda não dormi desde que cheguei de viagem, devido à algumas obrigações), faço o melhor que posso.
Assim, ainda na sexta-feira, como um aquecimento ao fim-de-semana do festival que estava por vir, resolvi ir ao Motorrad, uma espécie de pub localizado no centro de Curitiba, que sugestivamente apresentava um pedaço de moto velha logo acima dos letreiros da entrada do local. Apesar da estranheza da impressão na entrada, o local internamente tinha um som de boa qualidade, embora o seu espaço e decoração fossem um pouco inferiores ao Cine, outro pub de Curitiba que visitei ano passado, na ocasião em que estive no festival RG. Evidentemente, o Motorrad estava bastante lotado por paranaenses e visitantes advindos do CRF, que ali estavam para presenciar o show de três bandas.
A primeira delas, o Poléxia, é uma das melhores pratas da casa curitibana. Com um álbum lançando (Avesso, 2004), o grupo já se mostra com público cativo na sua cena local, e em estágio de crescimento para a cena nacional. Fazem um rock alternativo sem medo de fletar com o pop, e com algumas influências de 80¿s. Não tinha assistido um show deles ainda, e gostei do que vi. Na seqüência deles, vieram os já mais que consagrados paulistanos do Ludov, que fizeram um show baseado nas canções do disco "O Exercício das Pequenas Coisas". O show foi bastante parecido com o que eu assisti no festival GO Music, em agosto passado, porém com mais músicas no repertório e muito mais pique. Foi o melhor dos três shows do Ludov (que fique claro que não estou contando a fase do Maybees) que eu já assisti. E para fechar a noite de sexta, os também paranaenses do Relespública vieram com aquilo que todos já conhecem, e que nós nunca cansamos de assistir: rock mod/garagem/60's/soul de primeira linha, muita presença de palco, covers de clássicos do rock, horas prolongadas de diversão. Definitivamente, a noite no Motorrad foi um bom começo de fim-de-semana.
Curitiba Rock Festival ¿ O Festival
Como nem tudo são flores, não dá para deixar de citar: O Curitiba Rock Festival 2005 foi um dos festivais mais mal-organizados que eu já presenciei na minha vida. E tudo isso se deu devido a uma série de pequenas mancadas, ligadas entre si ou não, que contribuíram para que muitas coisas decorressem de forma desastrosa na edição do festival. A primeira delas foi referente à data do festival. Inicialmente cogitado para se realizar no final de maio, o festival foi adiado para julho, e posteriormente para os dias 24 e 25 de setembro, sendo estas as datas definitivas do festival. Tal atraso, atribuído pela organização à falta de patrocínio, e à dificuldade em se fechar com New Order (primeira banda cotada) e Weezer, fez com que o CRF ocorresse em um segundo semestre cheio de festivais poderosos na concorrência, como o Tim Festival e o Claro que é Rock, concorrência da qual eles não precisaram enfrentar na edição anterior com o Pixies, já que esse tinha sido realizado no primeiro semestre de 2004.
Claro que a concorrência influenciou na venda dos ingressos. Além de outros fatores como o preço dos ingressos, e o fraco cast nacional de bandas, a concorrência pesada fez com que a vendagem de ingressos do CRF fosse abaixo do esperado. Dos 8.000 ingressos colocados à venda, apenas 3.000 tinham sido vendidos a uma semana da realização do festival, fato que obrigou os organizadores a trocar o evento da bela Pedreira Paulo Leminsky para o Curitiba Master Hall, uma casa de shows fechada, e com capacidade para 3.500 pessoas. A realização do CRF no CMH trouxe uma grande economia de custos de produção para a organização, porém gerou um grande descontentamento da maior parte do público e uma enorme confusão para os organizadores se explicarem na véspera do acontecimento do festival.
Uma outra grande mancada da organização do CRF diz respeito à sua programação. Um exemplo disso foi o Fântomas, banda norte-americana anunciada como atração no site oficial do festival, e que foi cancelada no primeiro dia de vendas de ingressos do CRF. Consta-se em informações extra-oficiais pela internet, que nem mesmo os integrantes da banda sabiam da existência desse show. Quanto às bandas nacionais, ficou bastante claro, e posteriormente foi confirmado, um boicote da organização do festival, em relação à Monstro Discos, o maior selo de bandas independentes do país. Esse boicote se realizaria devido à uma dívida antiga da Monstro com a produção do CRF, dívida da qual já teria sido paga no início do ano, o que não justifica tal boicote, que por outra razão senão intrigas pessoais. Com isso, a programação perdeu a chance de ter nomes valiosos da cena independente nacional, como Violins, Astronautas, Sapatos Bicolores, Zefirina Bomba e Irmãos Rocha! Nenhuma banda do também respeitado selo carioca Midsummer Madness foi convidada e a conseqüência disso, foi um line-up nacional que pouco se equipara à qualidade das bandas das edições 2003 e 2004 do festival.
Como se não bastasse, nas vésperas do festival, uma outra confusão envolveu bandas participantes do CRF. O Hurtmold, respeitado grupo alternativo da cena independente nacional, cancelou sua apresentação no CRF ao saber que as bandas nacionais participantes do festival não teriam direito à passagem de som. Outro problema aconteceu instantes antes da aguardadíssima apresentação principal do grupo Weezer, onde a equipe de produção da banda norte-americana se mostrou bastante descontente com a estrutura do evento, e com a enorme quantidade de pessoas presentes no CMH. Por pouco o show não ocorreu. Fato é que não haviam saídas de emergência do local, e na noite de sábado, estava bastante claro que as condições do público pagante não eram boas: bastante aperto, empurrões, e péssima distribuição de espaço. Suspeita-se que o público no CMH na noite de sábado estava por volta das 4.000 pessoas, quando de fato, a capacidade máxima do local é de 3.400 pessoas. Resta apenas lamentar pelos acontecimentos acima. E torcer para que a produção do festival se organize melhor em sua próxima edição, caso ocorra, e apresente um maior respeito com atrações e público, afinal de contas, a idéia do CRF é louvável. Torço pela vida longa ao festival, afinal todas as idéias de eventos assim são bem vindas, especialmente aquelas que se distanciam dos grandes centros urbanos, distribuindo as atrações para cidades não antes visitadas no mapa nacional. Mas se for para acontecer, que seja feito com mais cuidado. E se a organização falhou, as atrações principais, pelo contrário, surpreenderam. Então confiram os relatos abaixo.
Para Valer: CRF, 24 de setembro, sábado.
Com um pequeno atraso, a minha noite de sábado no CRF começou direto na segunda atração, os pernambucanos do Radio de Outono. Fazendo um powerpop viciante, com letras inteligentes, refrões grudentos, ausência de guitarra e uma leve presença de psicodelia, o RDO já tinha sido citado anteriormente por este blog, como uma das maiores revelações da cena independente nacional, e o seu show no CRF serviu apenas para confirmar ao vivo o que já era agrado nas gravações, além de presenciar a simpatia de Bárbara Gina (que jogava docinhos para o público) e seus companheiros. Foram seguidos pelos cariocas do O Sete, que apresentou um show ameno, sem despertar muita atenção. O excesso de referências comuns na banda fez com que o pop rock do grupo soasse às vezes até banal. A situação não melhorou muito com o Charme Chulo. Os paraenses não conseguiram engrenar a ousada proposta de misturar rock inglês com influências caipiras, e nem mesmo o nome engraçadinho de faixas como "Polaca Azeda" impediram os paranaenses de fazer um show morno.
O pique só foi retomado com os paulistas do Biônica. A banda, liderada por Joana C4, figura conhecida por ser "a base" da MTV Brasil, além do guitarrista Fernando Sarti, da baterista Helena e baixista Marina Pontieri traz consigo o melhor do rock¿n roll clássico, garageiro, sujo, com bastante microfonias e letras do cotidiano urbano. È o Forgotten Boys de saias, que tem angariado um respeito cada vez maior na cena paulistana e se mostra uma boa revelação. E depois do rock'n roll, a calmaria. Subia no palco, o Cidadão Instigado, do Ceará, projeto liderado por Fernando Catatau, que trazia consigo uma banda convidada por músicos como o baterista Clayton (Detetives). Com uma proposta bastante complexa, o Cidadão Instigado trazia consigo uma mistura de jazz, rock, samba, alternativo, em pegadas às vezes bastante lentas. A idéia não é ruim, mas o horário de sua escalação foi inapropriado. Assim, seu show tornou-se chato para um público pós-Biônica e à espera do Weezer. E enquanto o Weezer não vinha, a última banda nacional a subir no palco do CMH na noite de sábado foram os cariocas do Acabou La Tequila. A banda, já "teoricamente extinta", estava ali presente em uma das suas raríssimas apresentações de divulgação do disco póstumo "O Som da Moda". Não é todo dia que se pode ver tantos músicos respeitados tocando juntos, como é o caso de Renato (Canastra), Kassin (Los Hermanos) e Nervoso. Juntou-se a eles Gabriel Thomaz, do Autoramas, e o que se viu foi a superbanda mostrando a sua mistura de rock com sons execêntricos, priorizando as canções perdidas, mas sem abandonar clássicos como "Biscoto" e o "O Fim". Um show de indescritível importância.
Weezer
Para a maioria dos presentes nas duas noites no Curitiba Master Hall, este era sem dúvida alguma, o show mais esperado do festival. E nem mesmo a desorganização do festival, a longa espera pelo show da banda, proporcionada pela produção de palco do grupo, e o empurra-empurra do público que se apertava em busca de um melhor lugar em frente ao quarteto norte-americano, conseguiram estragar a memorável e única apresentação do Weezer na América Latina. Com a dispensa de apresentações, não é todo dia que se tem a chance de presenciar uma banda que muito marcou a geração 90's, servindo de influência para muitas bandas contemporâneas, com sua mistura de rock alternativo pesado com o hard rock e o pop. Tal linha permitiu a banda também galgar um grande respeito tanto no meio underground quanto no mainstream.
E o que o quarteto mostrou no palco foi um set list caprichado, que sabiamente ignorou o disco "Maladroit" (2002), o pior álbum do repertório da banda, dando mais vazão ao novo trabalho "Make Believe" (2005) e aos clássicos "Blue Álbum" (1994) e "Pinkerton" (1996). No repertório, não faltaram os grandes clássicos da banda, e nem mesmo algumas músicas mais desconhecidas do grupo, como a primeira música "My Name is Jonas", agradando então a gregos e troianos que estavam ali presentes. Com uma enorme receptividade do público, que cantava todas as músicas em coro, o grupo apresentou uma simpatia de contrastar a fama de mau-humorado que às vezes acompanha o vocalista Rivers Cuomo. Ele, bem com os demais integrantes, eram somente sorrisos e interação. E nesse clima, algumas "jams" foram permitidas. Em "Photograph", o baterista Patrick Wilson assumiu os vocais, e Rivers, as baquetas. E não decepcionaram. Já "In Garage" foi cantada pelo baixista Scott Shriner, e em "Why Brother", quem cantou foi o guitarrista Brian Bell. No momento cover, a banda fez sua versão e homenagem para "Big Me", do Foo Fighters, banda que têm excursionado em turnê com o quarteto.
Mais dois momentos emocionantes estavam por vir. Na primeiro, o vocalista se dirigiu para o meio da platéia da ala superior direita, com um violão nos braços a empunhar uma lindíssima versão acústica de "Island the Sun", a arrepiar o público presente. E como se isso já não fosse suficiente para ganhar a noite, ele ainda convidou um garoto da platéia para tocar com eles a "Undone (The Sweater Song)". Aparentemente nervoso à princípio, o garoto conseguiu dominar bem o violão até o fim da canção (a experiência do sortudo pode ser melhor descrita em seu blog). E para fechar, a banda emendou as ótimas "Hash Pipe" e "Surf Wax America", o que me fez pensar que o Placebo devia tomar umas aulas de carisma e apresentação com a banda norte-americana. E realmente, nem mesmo o Pixies me supreendeu tanto quanto o Weezer. Não pestanejo ao dizer que este foi um show histórico. Nota 10.
O Set List:
- My Name is Jonas
- Tired of Sex
- Don´t Let Go
- In Garage
- This is Such a Pity
- Big Me (cover de Foo Fighters)
- Perfect Situation
- Why Bother
- El Scorcho
- Say it Ain´t So
- We´re All on Drugs
- The Good Life
- Beverly Hills
- Buddy Holly
- Photograph
- Island in the Sun (acustico)
- Undone (the Sweater Song)
- Hash Pipe
- Surf Wax America
CRF, 25 de setembro, domingo.
Com um pequeno atraso, desta vez não meu, mas da organização, devido aos cancelamentos de Hurtmold e Lobão, os shows de domingo inicalmente programados para o meio da tarde, iniciaram-se detardezinha com os paranaenses do Black Maria, banda que o meu cansaço não me permitiu conferir. Mas o Móveis Coloniais de Acaju... é claro que eu não ia perder uma das favoritas da casa. E meio como eu já previa, o que banda fez foi repetir o altíssimo nível das apresentações que conquistaram um grande público no centro-oeste, especialmente em Goiânia e Brasília, com a mistura de ska, jazz, música brasileira, swing, rock, e qualquer elemento "maluco pós-Karnak". O entrosamento impecável dos integrantes e a energia de palco deles fez com que o MCA fizesse a melhor apresentação nacional do festival, com direito a repetir o passeio dos integrantes pelo público e rodinha, como o que foi feito na última edição do "Let's Rock". Uma pena que tenham sido a segunda banda a tocar na noite de domingo, fato que fez com que os brasilienses tocassem para um público mais restrito. Porém, quem viu se encantou com eles. Depois do MCA, uma atenção especial para Karine Alexandrino. A garota, advinda do Ceará, fez uma das apresentações mais excêntricas que já presenciei. Em uma mistura deveras bastante criativa e tosca de batidas eletrônicas, figurino espalhafatoso, e um pouco de referências bregas, a garota, que se auto intitula "mulher-tombada" fez o público se divertir horrores, com músicas como "Querem Acabar Comigo, Roberto". Outra boa surpresa.
Com a proposta de misturar rock pesado e vocais guturais com uma levada jazzística, os paranaenses do Los Diaños traziam consigo a bagagem de serem considerados uma das maiores revelações da edição catarinense do show do placebo no festival "Claro Que é Rock". Entretanto, apesar das boas expectativas em cima da apresentação do grupo, confesso que me decepcionei com a forma na qual eles executavam sua mistura. Não consegui me agradar com eles, e nem mesmo com os paulistas do Patife Band, que também fizeram uma apresentação cansativa. Como última banda nacional da noite, por sugestão da minha amiga Èrika fui conferiros gaúchos do Ultramen, que vieram então com seu já bastante conhecido trabalho, que mistura rock, reggae, hip hop, samba, metal e funk. Tamanha ousadia rende boas letras e um convite para a banda participar do especial "MTV Acústico Bandas Gaúchas". Não fazem um gênero de som que me agrada, mas sou obrigado a admitir que eles são muito bons naquilo que fazem.
Raveonnetes e Mercury Rev
Um pouco questionada se devia ou não ser a penúltima ou última apresentação da noite, a charmosa dupla dinamarquesa Raveonnetes entrava no palco, liderados por Sune Rose e Sharin Foo, que dividiam instrumentos de corda e vocais. Acompanhada por banda, a dupla veio mostrar o que sabe fazer de melhor: reciclagem de sons antigos com ares modernos. Assim, pegaram espaço para mostrar sua mistura de rock de garagem, new wave, 80¿s e rockabilly, com distorção, pegadas eletrônicas, muita harmonia e acima de tudo, essência pop.
Bem como o Weezer, a dupla se mostrou bastante carismática com a receptividade do público, e retribuiu isso muito bem com hits como "Chain Gang of Love" e "That Great Love Sound". "Love in a Trashcan", "Beat City" e a bela "Remember" também foram muito bem recebidas. Encantada com o público, a belíssima Sharin Foo, decidiu por fim descer do palco e cumprimentar algumas pessoas próximas à grade que a separava do público. Foi um show de despertar sorrisos, simpatia, e além das minhas expectativas, que agora passo a ver o Raveonnetes com mais bons olhos ainda.
E para finalizar a edição de 2005 do CRF, marcada por uma conturbada organização, e apresentações internacionais que fizeram shows além do esperado, os norte-americanos do Mercury Rev, também não fugiram à regra de mostrar simpatia e bom serviço no palco. Com quase 15 anos de estrada, a banda mostrou muita maturidade e presença, em seu repertório dominado por belas canções, que intercalam bem o melancólico com o experimental, sem abrir mão do surreal. Então, a melhor definição do show do Mercury Rev: Transcedental.
O estilo de som do grupo torna-se cansativo a quem fecha a seus horizontes, e assim alguns não se agradaram muito com a apresentação. Mas quem foi conferir a banda, não se decepcionou. Em um telão, o grupo mostrava uma série de mensagens, imagens marcantes e citações de grandes nomes de filosofia, poesia e história humana. Como um regente, o vocalista Jonathan Donahue conduzia um piano sem abrir mão de feições expressivas, seguidas à risca pelos demais integrantes do grupo. A mistura viajante do som do grupo às imagens do telão fez muitos ali presentes desabarem em lágrimas. O desfecho do show, com a clássica "The Dark is Rising", foi o tiro certeiro no peito. "In my dreams, I'm always strong". E quem não tem direito de sonhar? E quem não viu e gosta, que sonhe com um show do Mercury Rer. Compensa.
CONDUTOR
Recolho-me a procurar sinônimos. Palavras diferentes para sentimentos tão repetitivos. Personagens tão diferentes para histórias tão semelhantes. E às vezes, os personagens nem são tão diferentes assim. A amplitude do vocabulário passa então a funcionar de suporte à ilusão. Enganar aos outros, enganar a si mesmo de que a vida segue em linha reta, numa estrada contínua à nossas planejadas localidades, ao nosso calculado destino.
A vida, de fato, é cercada de rotas circulares. Estradas que se curvam até encontrar um ponto inicial, já anteriormente percorrido. Estradas mal-sinalizadas, com saídas de difícil acesso, cujo um condutor sem astúcia fatalmente volta ao recomeço. E quanto a nós, ao acompanharmos o ritmo de nossas rotas, tornamo-nos repetitivos, cansativos com quem se convive, martirizantes consigo próprio.
Eu não quero letras reconstruídas como um quebra-cabeça indutivo. Não quero pensar no que pode haver de novo a ser dito, na variação temática. Quero movimentar-me bruscamente em direção à estrada de chão, assim sem medo, por um caminho desconhecido e sem asfalto. Que seja para eu chegar no deserto, para cair no abismo ou até mesmo morrer seco como a gasolina do carro que não tenho. Que seja para eu descobrir novas rotas, novas dúvidas, novos impasses, tão igualmente repetitivos quanto hoje estão os meus pensamentos.
Superphones in London
Depois do sucesso do Sepultura, e de bandas como Wry e Udora saindo das cenas independentes de Sorocaba-SP e Belo Horizonte-MG, respectivamente, para tentar a vida musical na Europa e nos Estados Unidos, mais bandas independentes brasileiras, especialmente as que cantam na língua inglesa, têm tentado cada vez mais a sorte no cenário estrangeiro. Algumas inclusive, já arriscaram apresentações fora do país, ainda que não tenham saído de sua pátria-origem, como é o caso dos mineiros do Valv, e dos goianos do MQN.
Dessa vez, são os gaúchos do Superphones que embarcam para Londres, para uma série de apresentações no final de setembro até o meio de outubro desse ano. Boa sorte para eles, pois potencial não falta. E sucesso para algumas das nossas bandas brazucas, que têm capacidade inegável para se expor internacionalmente.
Claro Que é Rock!
Segundo consta no Jornal Estado de São Paulo e no blog da Betty Blue , nossa amiga mais que infiltrada na organização do festival, o line-up do festival Claro Que È Rock, que acontece nos dias 26 de novembro em São Paulo e 27 de novembro no Rio de Janeiro, é o seguinte:
- Cachorro Grande
- Nação Zumbi
- Good Charlotte
- Suicidal Tendencies
- Sonic Youth
- Flaming Lips
- Iggy and The Stooges
- Nine Inch Nails
Além das bandas previamente selecionadas nas disputas regionais durante os shows da turnê brasileira do Placebo, em abril passado.
Juntando os aguardadíssimos shows acima aos de Weezer, Raveonettes, Mercury Rev, Moby, Pearl Jam, The Strokes, Kings of Leon, Elvis Costello, Arcade Fire, Wilco, Kings of Convenience e outros mais, alguém tem dúvida de que 2005 é o ano dos shows de rock no Brasil? Isso sem contar que 2006 já começa com Rolling Stones. Haja grana, pois vontade nunca falta.
Ainda falando sobre shows gringos..
Não vou poder ver Pearl Jam, nem Claro que é Rock, nem Tim Festival, o que é uma grande pena. Mas já tenho em mãos meu ingressos para o Curitiba Rock Festival, e nessa próxima quinta-feira saio em direção à capital paranaense para conferir o festival. A expectativa é boa. Espero trazer bons relatos na volta. =)
APRECIE (Sem Moderação)
Radio de Outono
Anotem: Uma banda da qual vocês ainda muito vão ouvir falar. Da riquíssima cena independente de Pernambuco, onde hoje temos bandas como Mombojó, Volver e Astrounautas, o Rádio de Outono traz consigo um pop "gostoso", inteligente e embalado. Conseguem com vigor misturar fofura e ironia em suas letras. Já nas melodias, o diferencial fica por conta das leves influências de experimentalismo e psicodelia. È como se injetassem um pouco de Mutantes e Pixies no B-52's e no Vídeo Hits. Liderados pela vocalista Bárbara Jones, a banda já tem no seu currículo apresentações nos festivais MADA, Abril Pro Rock e agora também, o Curitiba Rock Festival. O RDO não usa guitarras, mas é rock. Não é chiclete, mas gruda. Não é cafeína, mas vicia.
Comece por: "Além da Razão", "Eu sou o Tão", "Sabe Tudo".
Death From Above 1979
No rock mundial, a bola da vez é o Canadá. Nos últimos dois anos uma série de bandas daquele país tem despontado mundo afora. E não é por coincidência. Uma das principais razões do "sucesso canadense" é o chamado "Canada Music Fund", um fundo de apoio do Governo do Canadá para destinar verbas para o crescimento da indústria musical do país. Tal investimento trouxe ótimos frutos, e assim bandas como Arcade Fire, The Dears, The Stills e outras mais surgiram como grandes "revelações canadenses". A mais nova desses revelações é o Death From Above 1979, um projeto arrojado de Sebastien Grainger e Jesse Keeler, que assim como a banda citada acima nesse post, resolveram investir em um rock sem guitarras. Só que a formação do desta banda é ainda mais arrojada: limita-se a baixo e bateria. A dupla, que ano passado lançou seu disco de estréia, intitulado "You're a Woman, I'm a Machine" faz um som na linha hard rock/stoner/garage/noise de plantão, acrescida com a crueza instrumental de bandas como White Stripes.
Comece por: "Romantic Rights", "Sexy Results", "Losing Friends".
Atari Teenage Riot
Grupo alemão formado em 1992. cujo o trabalho é um som explosivo a misturar elementos de música eletrônica, hardcore, alternativo e trash metal. Seu som é denominado por alguns de "Digital Hardcore", dada a característica marcante da mistura do peso acelerado do hardcore com diversos ritmos de música eletrônica, especialmente o techno. Tal variedade musical permitiu à banda participar de turnês com artistas aparentemente bem diferentes como Prodigy, Beck e Slayer. Com letras pesadas, algumas delas bem politizadas, onde os alvos principais eram os nazistas, além de nenhum pudor em suas palavras, a banda foi motivo de muita polêmica em seu país natal devido a sua imagem digamos, "violenta". Encerraram suas atividades em 2000, e o vocalista "Alec Empire" lançou alguns trabalhos solos após a dissolução. Nada que se compare ao impacto causado pelo ATR. Aliás, em se tratando dessa banda, talvez impacto seja realmente o melhor adjetivo.
Comece por: "Too Dead For Me", "Into the Death", "Sex".
No Winamp: Madame Satã - Pão e Círculo
EFEITO BORBOLETA
"O bater das asas de uma borboleta em um canto do planeta, pode provocar conseqüências imprevisíveis como um furacão em outro hemisfério".
Obviamente que esta não é uma definição científica, mas de certa forma, esta teoria, intitulada de Teoria do Caos, da qual eu sou bastante crente, diz que uma atitude tomada ou um ato cometido, por mínimo que seja, pode trazer implicâncias incalculáveis e indetermináveis para o destino de nossas vidas, do futuro, do mundo e de tudo que possa ser imaginado. Em uma maneira mais detalhada, seria como a teoria de ação e reação do Newton aprofundada, onde tudo que vivemos hoje, é conseqüência dos nossos atos e escolhas do passado, por mais insignificantes que possam parecer.
Assim, Evan (Ashton Kutcher) é um jovem que teve uma infância complicada, ao lado de Kayleigh, seu primeiro amor, e de Tommy e Lenny. Na sua infância, diversos foram os acontecimentos traumáticos, como a ausência de seu pai, que tinha uma doença mental, da qual Evan o viu morrer em sua frente, o abuso infantil cometido pelo pai de Kayleigh às crianças, o episódio em que Tommy, irmão de Kayleigh, matou o cachorro de Evan, por vê-lo junto com sua irmã, e a explosão de uma bomba na brincadeira das crianças que traumatizou eternamente também o pequeno Lenny. Muitos dos detalhes desses episódios passaram em branco pela cabeça de Evan, já que o mesmo tinha um problema grave de memória.
Anos mais tarde, como um universitário de psicologia de vida estabilizada, Evan decide procurar os personagens de seu passado para entender sua conturbada infância, e vê todos eles em situação lamentável, como conseqüências dos traumas que atingiram a todos. Aproveitando-se de seu diário, de seu problema mental, e de seu grande conhecimento de psicologia, Evan decide fazer "regressões físicas" para tornar ao passado, consertando os episódios traumáticos da infância, e assim tentando recuperar a sua vida e a de seus amigos. Entretanto, a cada regressão e ato mudado do passado, novas conseqüências desastrosas surgem no futuro, obrigando com que Evan tenha que voltar ao passado cada vez mais a "consertar" os novos estragos cometidos por seus atos.
Evan então passa a perceber as conseqüências futuras geradas pelos seus atos de mudança. E essas conseqüências passam a ser muito mais doloridas do que ele mesmo imaginava ser. Mais do que isso, Evan aprende que às vezes é necessário abrir mão de sua própria felicidade em pró daqueles que amam. Um filme com caráter cientifico e ao mesmo tempo emotivo, triste, reflexivo e, por que não, intrigante.
KATRINA
Um dos episódios mais engraçados da política internacional nos últimos tempos, foram as ajudas oferecidas por Cuba, Irã e Venezuela, tradicionais inimigos políticos norte-americanos, aos EUA em relação às vítimas do furacão Katrina, que devastou a cidade de New Orleans e regiões próximas, dentre os dias 25 a 29 de agosto deste mesmo ano.
Como muitos, tenho uma grande antipatia pela política internacional adotada pelos EUA durante toda a sua história, especialmente nos últimos anos da gestão Bush filho. Entretanto, também não apóio de maneira alguma a política administrativa adotada por esses três países, pois sou bem cético em relação às idéias tanto de direita quanto de esquerda. De qualquer forma, independente do ponto de vista político, não dá para negar que a manobra destes países, foi, no mínimo uma ironia engraçada:
Cuba
O presidente de Cuba, Fidel Castro, ofereceu nesta sexta-feira ao governo dos Estados Unidos o envio de 1.100 médicos equipados com 26,4 toneladas de remédios para atender às vítimas do devastador furacão Katrina.
Venezuela
O presidente Venezuelano Hugo Chávez, em pronunciamento na TV de seu país, ofereceu a doação de US$ 1 milhão para as vítimas do furacão. Posteriormente, ele aumentou a oferta para US$ 5 milhões.
Irã
Ofereceram US$ 1 milhão para as vítimas do furacão, além de ajuda humanitária por meio da Cruz Vermelha Internacional.
E aí, será que o Tio Bush aceita?
Beatles ou Rolling Stones?
Nirvana ou Pearl Jam?
Ramones ou Sex Pistols?
The Strokes ou White Stripes?
Bob Dylan ou Johnny Cash?
Black Sabbath ou Led Zeppelin?
AC/DC ou Motorhead?
Iggy Pop ou David Bowie?
Little Richars ou Chuck Berry?
The Clash ou The Jam?
Michael Jackson ou Madonna?
MC5 ou New York Dolls?
Metallica ou Megadeth?
Renato Russo ou Cazuza?
Pixies ou Sonic Youth?
Oasis ou Blur?
Green Day ou Offspring?
Teenage Fanclub ou Belle and Sebastian?
At the Drive-in ou Mars Volta?
Aerosmith ou Guns'n Roses?
Cat Power ou PJ Harvey?
Bidê ou Balde ou Cachorro Grande?
Smiths ou Parada Gay?
Weezer ou Computador?
Sepultura ou Soulfly?
Courtney Love ou Yoko Ono?
Caetano ou Gil?
Ir ou Ficar?
Estou numa de ouvir bastante Ash essa semana. Revisitando a discografia do 1977 (1996) ao Meltdown (2004). Britpop e hard-rock da melhor espécie. Recomendo também o trabalho solo da bela guitarrista Charlotte Heatherley.
Esses dias para trás eu assisti um programa de TV onde um grupo de telespectadores estavam opinando sobre política por e-mails, e alguns deles diziam considerar o Roberto Jefferson uma espécie de benfeitor, delator da corrupção no país. Acho que ninguém precisa usar muitos neurônios para saber que o cara-de-pau só abriu a boca porque o descobriram, e para, como dizem na linguagem popular, "tirar o dele da reta". Super-herói político? Alguém aqui acredita nisso? Sinceramente, nessas horas eu que nós bem merecemos as gestões públicas que temos.
O que acontece quando uma evangélica fervorosa se encontra com uma farmacêutica desbocada...
- Bom Dia!
- Bom Dia!
- Eu gostaria de....
È interrompida pela farmacêutica:
- Aguarde só um instante, deixe-me só terminar de atender esta cliente.
E acaba por vender uma cartela pílulas anticoncepcionais para a tal cliente. Vira-se então novamente para a senhora que aguardava ser atendida ao lado:
- Desculpe a demora. Em que posso ajuda-la?
Parecendo ignorar a pergunta da farmacêutica, a senhora teceu o seguinte comentário:
- Com certeza, isso é algo que nunca vou precisar comprar. Que desrespeito às leis de Deus.
A farmacêutica, incomodada com o julgamento da cliente, tornava a palavra:
- Isso é algo tão normal. Vai dizer que você nunca comprou as pílulas?
- Não tenho mais idade para essas coisas. E como uma boa serva de Deus, eu só me despi uma única vez após o casamento, e foi quando eu tive a minha filha, que deus a tenha.
A farmacêutica a essa altura já se divertia imaginando que o marido da sua cliente devia ser um "expert" nas clássicas "puladas de cercas", pois dificilmente um homem resistiria a um casamento sob tal condição. Vira-se novamente para a cliente:
- Essa sua filha... Quantos anos ela tem?
- A Luisa tem 19 anos. Freqüenta periodicamente a igreja e estuda direito na Federal. È uma menina abençoada.
- Então, talvez a sua filha queira uma caixa. As pílulas estão na promoção.
- Minha filha? Jamais! Minha filha é evangélica!
- Continuo achando que talvez seja bom você levar uma caixa para sua filha. Ela é jovem, provavelmente vai ter namorados, viver a vida... Precaução nunca é demais.
- Mas que afronta! Minha filha é da Igreja Mundial do Templo de Deus! È criada sob uma educação familiar e evangelista. È uma moça de família, não uma pecadora.
- Mas não há nada de errado em querer se praticar o amor e a vida. Ainda mais a sua filha, que hoje freqüenta uma juventude tão bonita, tão consciente e sem medo de encarar as experiências do mundo.
Percebendo então que tinha se afobado um pouco na discussão, e que sua cliente, a essa altura com a face levemente franzida de raiva, era um tanto quanto conservadora nas suas idéias, a mulher tentou amenizar a situação:
- Me desculpa pelo comentário mal-educado. Não sei onde estava com a cabeça. Qual é mesmo o nome da sua filha?
- Luisa.
- Morena, de média altura e olhos esverdeados?
- Sim, a conhece?
- Vocês são aqui do bairro não é? Moram na rua Tapajós?
- Isso.
- Sim, a conheço. Fizemos um curso de computação juntas e mantivemos contato.
A cliente, que parece não ter gostado muito da idéia de que a farmacêutica indecente fosse amiga da sua ingênua filha, resolve perguntar:
- Mas vocês são muito amigas?
- Bastante. Sabe de uma coisa? Você tem razão. A Luisa não precisa de pílulas anticoncepcionais. A conheço bastante bem, e tenho certeza disso.
A senhora, dessa vez satisfeita com o comentário da farmacêutica volta a sorrir e finalmente faz o pedido:
- Na verdade eu queria mesmo uma cartela de Neosaldina. Estou com muita dor de cabeça.
A farmacêutica então informa o preço, emite o pedido e a cliente dirige-se ao caixa. Após a senhora deixar a farmácia feliz com a idéia de que sua filha tinha uma imagem respeitada, a farmacêutica tira então uma foto de sua bolsa. Na foto, uma imagem dela e de Luisa. Um carnaval e tanto, o daquele ano. Dois sorrisos, um abraço terno, empolgação alcóolica. Sente seu coração bater acelerado só de pensar naquele nome. Que saudade da Luisa...