Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.

Carlos Henrique de Castro Howes

04/01/83

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Sexta-feira, Julho 29, 2005

Los Hermanos - 4



Como o próprio nome sugere, "4" é o quarto álbum do grupo carioca, que em uma breve carreira já leva consigo trabalhos respeitados, cadeira cativa na música popular brasileira e fãs ardorosos por todo o país. O novo disco da banda, que saiu nesta semana, tanto nas lojas quanto na Internet, traz consigo algumas mudanças na linha de som do quarteto. Levando-se em conta o fato de que uma das grandes virtudes dos hermanos sempre foi carregar consigo um som bastante original, influenciado por rock, samba, mpb, ska, música latina e tantas outras coisas mais, a mudança mostra-se mais do que justa, em uma época onde a influência da banda já transparece em trabalhos de tantos outros artistas. Não é uma mudança radical, como o Radiohead em seu "Kid-A" pós "Ok Computer". Trata-se de uma mudança leve de arranjos, influências, detalhes e posicionamentos de obra, sem alterar aquilo que marca o som a banda, porém sem também escapar da diferenciação criativa de cada álbum.

A primeira diferença perceptível é a ausência dos naipes de metais, uma marca que sempre foi presente no som da banda desde os seus primeiros trabalhos. Para quem esperava uma linha mais voltada para samba, eles também resolveram se mostrar mais voltados para mpb. O Amarante continua seu amadurecimento a olhos vistos, e suas composições estão ainda mais presentes, o que vai fazer a alegria de muitos, que como eu, gostam do estilo Amarante de compor. Ao lado de Marcelo Camelo, suas letras continuam impecáveis. Os dois continuam figurando entre os compositores mais criativos da música brasileira contemporânea. A sonoridade está mais direta e as letras mostram-se cada vez mais intimistas.

Na primeira metade do disco, apresentam-se uma série de canções de levada mais lenta, prontas para agradar os amantes do gênero "Último Romance". "Dois Barcos" mostra-se mais climática, especialmente acompanhada de pianos. Já "Fez-se o Mar" e "Sapato Novo" brincam de dedilhar e balbuciar mpb. "Paquetá" e "Morena" lembram muito algumas canções de levada mais ritmada do Ventura, como "Deixa o Verão". "Horizonte Distante", dona de uma bela letra, faz par com "Condicional" como músicas mais energéticas, onde se escutam as guitarras com mais distorção. "O Vento", primeira música distribuída do disco, é especialmente pronta para o agrado. Por fim, vale uma ressalva especial para "Os Pássaros", sobre as "boas" e velhas dores, uma das mais belas canções do disco. E nessa levada intimista, canções para se tomar sozinho e com um copo de café não faltam. Muito do que havia de melhor na banda está aí, acrescentado dos novos ventos da maturidade, onde se aprende que simplicidade é a melhor forma de se chegar aos corações. Belo disco.

Pop'nRollStar (2:06 AM)

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Foo Fighters - In Your Honor



Se há alguém no mundo do rock atual, que possa ser chamado de mito e ainda esteja em evidência, esse é alguém é Dave Grohl. Baterista da banda mais histórica da década de 90, o Nirvana, Dave Grohl conseguiu o que parecia impossível: seguiu sua carreira musical pelas próprias pernas, a ponto de se desvincular completamente da imagem do antigo grupo, e ainda de quebra fazer uma série de trabalhos que conseguiu agradar a gregos e troianos, ou simplesmente crítica e público. Mais do que isso, Dave Grohl virou sinônimo de qualidade. Foi bem-sucedido qualitativamente com os todos os artistas com quem trabalhou (Nine Inch Nails, Pete Yorn, Queens of The Stone Age, Cat Power, Garbage, Tenacious D...), e mais bem-sucedido ainda com a sua banda, o Foo Fighters, que chega agora ao seu quinto álbum, intitulado de "In Your Honor".

Bem acompanhado por Nate Mendel(baixo), Chris Shiflett(guitarra) e Taylor Hawkins(bateria), o vocalista/guitarrista/líder Dave Grohl traz consigo a responsabilidade de manter o bom nome em uma obra divida em dois discos, o primeiro com canções de rock'n roll bastante pesadas, e o segundo com canções mais lentas em formato acústico. Nada mais justo, levando-se em conta de que um dos grandes triunfos do Foo Fighters sempre foi o de balancear músicas de peso e baladas em seus trabalhos anteriores com eficácia. Estamos sem dúvida diante de um trabalho maduro, em que Dave Grohl se mostra tanto bastante versátil em arranjos, como principalmente um grande compositor e letrista. As letras de "In Your Honor" são bastante pessoais, transparecendo uma sinceridade interessante, e vão direto ao ponto com mensagens, sentimentos, desabafos e questionamentos que com certeza vão causar identificação entre as massas, sem soar hipócrita.

Partindo ao que interessa, o primeiro disco inicia-se com a faixa-título "In Your Honor", sob os gritos de "Can You Hear Me? Hear me Screaming", e trazendo com ela as letras fortes e o peso característico presentes em quase todo este disco, algo que o Foo Fighters passou a fazer com mais vigor ainda desde o penúltimo álbum, o "One by One". Gritos também se fazem presentes em "Best of You", a primeira música de trabalho do disco, sendo também a melhor deste primeiro cd, e certamente uma das melhores canções já feitas pela banda, candidata a clássico. A cadenciada de ritmo, o sentimento de procura e o belo videoclipe com certeza vão dar um empurrão a isso. No mais, o peso continua nos "rocks de arena" "Hell", "No Way Back" e "Free Me". Em outros momentos o peso se junta à canções de forte faro pop, como "DOA" e a viciante "The Last Song", duas boas candidatas a singles. Já "Resolve" é uma balada energética para ser cantada com o coração. Outro destaque fica por conta da cadenciada "The Deepest Blues are Back".

O segundo disco, por outro lado, consiste numa espécie de bônus track que foi além do esperado e se tornou um elemento primordial de "In Your Honor". As canções acústicas são diretas, porém suavemente trabalhadas no aconchego do estúdio, longe da artificialidade e dos exageros que tomaram conta da maioria dos MTV's unpluggeds. E esse disco abre com "Still", uma música em suplício, de atmosfera bastante climática. Na seqüência, "What If I Do", a melhor canção do segundo álbum. Balada impecável, de fácil apego, vocal arrastado e abafada no violão. Lindíssima. As "Carolinas" ainda vão agradecer por essa. "On the Mend" é outra balada arrasadora do disco, juntamente com "Razor", onde Dave mostra abilidades de dedilhado rápido no violão. Destacam-se também "Another Round", uma canção de levada preguiçosa, um folk com direito a gaita, além de "Virginia Moon", uma praticamente bossa-nova, da qual os vocais são dividos com a Norah Jones. Por fim "Cold Day in The Sun" mostra que também pode-se fazer músicas embaladas e pulsantes no formato acústico. O conjunto dos dois discos mostra um trabalho e tanto. Para figurar em qualquer lista dos melhores de 2005 que se preze.

Trail Of Dead - Worlds Apart



Mais um álbum que merece uma audição cuidadosa. Os texanos mostram a busca do pop ideal na medida do peso, dos arranjos bem trabalhados, do vigor e da emoção. O disco já se inicia com poderosa vinheta "Ode to Isis" e por fim seguem com canções que cativam, como "Summer of '91", arranjos complexos e pesados como em "Caterwaul" , pianos enlouquentes como em "Let It Dive", e o lado guitar e alternativo sempre forte em "Classic Arts Showcase" e "Rest Will Follow". Por fim, destaca-se o épico "Will You Smile Again?", a provável melhor música do disco. Em meio aos vários cds que acumulei durante o ano e deixei para ouvir agora em julho, posso dizer que este ganhou um lugar especial na minha playlist.

Pop'nRollStar (2:49 AM)

CRF

O festival paranaense "Curitiba Rock Festival" confirmou, além do Weezer, mais 17 bandas nacionais, e o Fantomas, um excelente projeto maluco liderado por Mike Patton, ex-vocalista do Faith No More. A organização promete divulgar mais nomes nos próximos dias. A lista temporária é essa aí:

Dia 24 de setembro: Suite Minimal (Ctba), Charme Chulo (Ctba), O Sete (RJ), Leela (RJ), Rádio de Outono (Recife), Cidadão Instigado (Ceará), Acabou La Tequila (RJ) e Weezer (EUA).

No dia 25 de setembro: Black Maria (Ctba), Los Dianos (Ctba), Hurtmold (SP), Karine Alexandrino (Ceará), Móveis Coloniais De Acaju (DF), Biônica (SP), Patife Band (SP), Ultramen (RS) e Fantômas (EUA).


Fantástica Fábrica de Chocolates

Já assististe o remake da Fantástica Fábrica de Chocolate? Não? Em que planeta você vive? Quer saber sobre o filme? Dá-lhe fotolog cinematográfico.

A propósito, ganhei esta semana uma bela camiseta do Willy Wonka, logo não tenho do que reclamar... =)

Pop'nRollStar (2:43 AM)

Quarta-feira, Julho 20, 2005

EU PAGARIA MENSALÃO


Calma, calma. Antes que você, caro leitor, me difame, ou no mínimo diga alguma coisa feia sobre a coitada da senhora minha mãe, farei algumas ressalvas. A primeira é de que este post não tem por objetivo tomar lado de qualquer partido político ou qualquer governo, seja ele do Lula, do FHC ou de quem for...A segunda é de que, embora eu colocaria em prática o que foi dito no título desse post caso estivesse na situação de faze-lo, isso não implica que eu concorde com o famoso esquema de mensalão existente e divulgado massivamente na imprensa brasileira nas últimas semanas. E não concordo mesmo. Sei que o argumento ficou confuso, mas chegaremos às explicações.

Não é preciso ser muito esperto para saber que o esquema de mensalão, a famosa mesada paga a deputados federais em troca de apoio político não é nenhuma novidade no cenário político nacional. Na verdade, embora as evidências físicas comecem a aparecer agora, qualquer pessoa ligada ao meio político (e sim, eu conheci algumas) sabe que essa é uma prática muito antiga, e algumas evidências têm mostrado que, tanto governo, quanto oposição (ou vice-versa no passado) mostraram envolvimentos com o tal esquema. E o Roberto Jefferson não é de fato nenhum herói por denunciar isso. Na verdade acho que ele cai melhor no papel de calhorda, afinal de contas, a boca dele só abriu quando o cerco se fechou para ele. Ou você acredita nele como puritano de boa intenção? Caso pense assim, melhor voltar a acreditar no papai noel. Faz mais sentido.

Então refletindo acima do quase inevitável assunto, procurei me colocar na posição imaginária de um governante executivo ou um líder político do governo no legislativo. E por mais habilidade política que o meu eventual partido tivesse, eu não teria 50% de domínio mínimo de integrantes do meu partido necessários na câmara e no senado. E como vocês sabem, sem maioria favorável ninguém governa. A aprovação de emendas e leis se fazem necessárias a qualquer governo, e para aprova-las você precisa do voto da maioria (seja ela simples ou absoluta) dos integrantes do nosso poder legislativo. Obviamente então eu precisaria de apoio político de outros partidos para colocar em prática as emendas do meu governo.

Como conseguir o apoio político de outros partidos para o seu provável governo? Aí entramos no ponto crucial da questão. Conseguir o apoio político de outros partidos por ideologia infelizmente é quase uma utopia. Além disso, um eventual apoio fortaleceria o seu governo, e reduziria as chances dos outros partidos estarem no lugar onde hoje o seu partido ocupa. Outro ponto é um cultural, a idéia do "cada um por si" que existe entre a maioria das pessoas, onde o bem comum é deixado de lado em pró da idéia do que se pode tirar de benefício para si próprio. Assim sendo, é claro que os demais partidos não iam querer lhe dar apoio sem que tirassem para si algum tipo de proveito. E que tipo de proveito você pode cede-los? Rapidamente afirmo: cargos, ministérios e claro, dinheiro. Como os dois primeiros nunca são devidamente suficientes, então você seria obrigado a apelar para o terceiro. Nesse caso, pode perceber, você já estaria pagando mensalão, para conseguir o apoio de outros partidos que lhe permitissem governar. Do contrário, não governaria, pois não teria a maioria necessária ao seu lado.

Como disse anteriormente, acho lamentável que o cenário seja esse. Eticamente isso é bastante incorreto, e é o dinheiro público das nossas famílias honestas, que saem dos impostos que suamos para pagar, direto para o bolso de vários daqueles que estão em Brasília para nos representar, mas de fato deixam um grande rombo financeiro no nosso país. È mais lamentável ainda se pensarmos a diferença que esse dinheiro faria caso o seu destino fosse para a saúde, economia, educação ou cultura. Mas eu apelo para o clichê: o sistema é assim. Enquanto ele for assim, pode assumir qualquer partido que se preze, os "mensalões" e seu genéricos irão sempre existir. Qualquer um que assumisse um governo (por isso me citei como exemplo), se veria obrigado a lidar com isso. E mudar um sistema existente há tantos anos, que já se tornou uma espécie de costume "cultural-político" e que envolve tantas pessoas, é tão difícil quanto convencer os políticos a assumir faces respeitáveis de honestidade. E uma mudança de sistema inevitavelmente atingiria a forma de governo hoje existente. Assim, não se faz da noite para o dia e não se sabe mesmo se isso seria eficiente, dado o caráter natural dos seres humanos (no caso já estou apelando para a psicologia humana). Este é um ponto de vista bastante cético de fato, tirado após uma perspectiva por vários lados da situação e após uma dose natural de realismo.Qualquer reclamação, fale com os meus pais, que me contaram que um dia que o velhinho noel não existe mesmo.

Pop'nRollStar (1:38 AM)

Java



Está aí o Java, o grande responsável por tomar boa parte do meu tempo este mês... Vamos ver se não quebro mais a cabeça com ele até a entrega da monografia definitiva no fim-do-ano. Eu tenho andado bem cansado e saturado, é verdade, mas não desanimado. A causa é boa, espero...

Pop'nRollStar (1:36 AM)

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Singles Soundtrack

Um filme realmente indispensável para os amantes do grunge e do rock' roll, especialmente o do início dos anos 90 é o Singles (no Brasil conhecido como "Vida de Solteiro"). Trata-se de uma comédia dramática que traz no seu enredo dúvidas amorosas e profissionais de jovens na faixa dos vinte e pouco anos, que dividem a moradia de um condomínio em Seattle. Porém, o toque diferencial do filme é o cenário e o clima "rock-grunge" que faz o fundo para o filme, que tem no elenco a participação de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden, além de uma trilha sonora que vai de Jimmy Hendrix à Smashing Pumpkins. Para exemplificar melhor o que digo, abaixo a lista de bandas que estão na trilha sonora do filme:

- Alice In Chains---Would?
- Soundgarden---Birth Ritual
- Pearl Jam---Breath
- Mother Love Bone---Chloe Dancer Of Thorns
- Smashing Pumpkins---Drown
- Westerberg, Paul---Dyslexic Heart
- Hendrix, Jimmy---May This Be Love
- Screaming Trees---Nearly Lost You
- Mudhoney---Overblown
- Cornell, Chris---Seasons
- Pearl Jam---State Of Love And Trust
- Westerberg, Paul---Wating For Somebody
- Lovemongers---Battle Of Evermore

Mais informações sobre o filme no fotolog cinematográfico.

Pop'nRollStar (2:46 AM)

Udora Brazil Tour



Segundo consta na Internet, o Udora desembarca em outubro e novembro para uma série de doze shows no Brasil. Para quem não conhece, o Udora é o nome atual do antigo grupo mineiro conhecido como Diesel, que durante alguns anos tocou na cena independente brasileira e chegou a vencer o concurso de bandas para tocar no palco principal do Rock in Rio III em 2001. Após isso, a banda se mudou para E.U.A, onde mudou de nome, diversificou algumas influências no som, fez turnê com bandas como Stone Temple Pilots e o gente como Jerry Cantrell (ex- Alice in Chains) , esteve perto de ser lançado por uma gravadora grande, e agora firma novos rumos. Há uma possibilidade da inclusão de Goiânia nessa turnê, o que seria bastante interessante. Para quem quiser conferir o som que a banda faz, há um link para algumas músicas nesse site.

Quem realmente aparece por Goiânia e com data definida para o dia 04 de agosto é a banda californiana Cake, que vai se apresentar na primeira noite do GO Music Festival. Na mesma noite o festival ainda conta com Cachorro Grande, Ludov, Matanza, Dead Fish, Ira!, Nando Reis e Paralamas. Mais detalhes no site do festival.

Ainda sobre a cidade, não tem sido fácil aguentar essa onda de frio-calor-calor-frio... haja troca de roupas para um dia só...

Pop'nRollStar (2:43 AM)

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Weezer em Curitiba



A quarteto norte-americano Weezer, uma das bandas mais referenciadas pelos rockers e indies desde a metade dos anos 90, foi confirmada (de acordo com o site oficial da banda) como a primeira atração da 3º edição do Curitiba Rock Festival, festival que anteriormente se chamava Curitiba Pop Festival, que agora mudou seu nome e conta com o patrocínio da Brasil Telecom. O festival vai ocorrer na capital paranaense nos dias 24 e 25 de setembro, e ainda vai levar consigo uma série de outras atrações nacionais e internacionais a confirmar, de acordo com o que se veicula na imprensa e no site do festival.

Acima um engraçado cartaz de um show realizado há algum tempo atrás na Filadélfia, e que agora nós brasileiros provavelmente teremos acesso. Pelo menos eu espero ter. Alguém aí interessado em comprar um rin?

Pop'nRollStar (1:47 PM)

Quinta-feira, Julho 07, 2005



Em um dos meus raros momentos de tempo livre deste meu mês, tirei algumas horas para assistir ao primeiro dos cinco DVDs que ainda pretendo assistir da série "The Beatles Anthology", produzida em 1995 para descrever as minúcias da história do quarteto de Liverpool que marcou o mundo da música, na companhia dos meus dois amigos guitarristas do Soulseeker.

A série de documentários do Anthologhy é algo que todos os fãs de Beatles deviam ter na sua coleção. Eu bem gostaria de ter o meu próprio Anthology. Aliás, eu bem que gostaria de fazer uma porção de coisas hoje não possíveis pela falta de dinheiro em mãos. Uma delas seria tirar umas férias, no mínimo, necessárias. Mas enquanto o Roberto Jefferson e seus "amigos" continuarem recebendo "mensalões", ao passo que eu e muitos outros brasileiros continuamos recebendo MENSALINHOS no nosso serviço, isso vai ser bem difícil.

Pop'nRollStar (2:17 PM)

DIÁLOGOS v.5

Sujeito A: Você me chamou e aqui estou. Aconteceu algo?
Sujeito B: Na verdade é isto que eu estou tentando descobrir. Estou preocupado contigo.
Sujeito A: Preocupado? Por quê?
Sujeito B: Você tem agido de maneira estranha, desde que voltou daquela viagem. Não corta o cabelo, agora não faz a barba também. Sempre que te vejo parece aparentar um desânimo consigo mesmo e com tudo que o cerca.
Sujeito A: Entrar nesse tipo de assunto é o que me dá desânimo de verdade. Eu realmente não estou nos meus melhores dias, mas precisamos mesmo entrar nesse assunto?
Sujeito B: Dá desânimo te ver assim e não fazer nada, isso sim. O que posso fazer para te ajudar?
Sujeito A: Me paga uma viagem para a Disney World.
Sujeito B: Porra, eu to falando sério.
Sujeito A: E eu também estou. Olha o palavrão...
Sujeito B: Pois acho que é isso que você devia fazer, soltar uns palavrões para te aliviar. Vamos, me xingue.
Sujeito A: Você ta passando bem?
Sujeito B: Me xinga logo.
Sujeito A: Está bem. Para de dizer bobagem, seu filho da puta.
Sujeito B: Foi fraco. Me xinga como homem, seu fresco.
Sujeito A: Mas eu não estou com vontade de te xingar, oras...
Sujeito B: Anda logo, sua mariquinha. Se não vou achar que você é tão maricas quanto aquele vocalista do Blur que você curte.
Sujeito A: Vai tomar no c* seu cretino, filho de uma *****, bastardo, chupador de ******, tomador de **** (Nota do autor: a continuação foi censurada).
Sujeito B: Agora sim. Não foi difícil te deixar nervosinho. Se sente melhor?
Sujeito A: Não.
Sujeito B: Não mesmo?
Sujeito A: Isso não resolveu meu problema. Mas quero te xingar denovo, posso?
Sujeito B: Chega, né? Não abusa.
Sujeito A: Que tipo de amigo você é? Vai me negar apoio?
Sujeito B: Dizem que eu sou o tipo de amigo que me dou bem com a onça..
Sujeito A: E com o Clodovil também.
Sujeito B: Tu é um cretino, sabia? Eu ainda continuo aqui, apesar disso tentando te animar.
Sujeito A: Que figura... Você não existe.
Sujeito B: E não existo mesmo. Está na hora de acordar, cara.

Pop'nRollStar (2:15 PM)

Sábado, Julho 02, 2005

OBSERVADOR

À distância meço margens como se o meu campo de visão pertencesse a uma tela. Projeto mentalmente o teu semblante, e fatalmente me enxergo como vítima das circunstâncias. Ou talvez um sobrevivente do acaso. Desdenho as linhas e analiso na perspicácia do meu ângulo.

Mais uma vez, o observador. Calo-me para não dizer o incompreensível. Eles não entenderiam o jogo que eu elaboro, mas não consigo decifrar. Observo por proteção, observo por contemplar, observo pela falta de astúcia em não saber o que dizer. E sempre observei.

Vejo a colocação precisa de cada contorno, a presença detalhada dos itens e a importância relativa do momento. Vejo as flores na paisagem e vejo-os dançar. Quero dançar também, quero estar ali presente no quadro e corrigir os meus traços mal-desenhados. Quero estar ali de corpo e alma, longe do voyerismo triste da vida moderna. Distante do sangue nos meus dedos e da mancha nos meus olhos. Deixar de ser o observador, e me tornar enfim, o ator.

Pop'nRollStar (4:39 PM)

NO FOWARD

Poucas coisas na internet dispensáveis quanto as "mensagens encaminhadas pré-feitas". Do que adianta se receber uma bela frase de amizade ou amor com ares de dedicatória, se essa mensagem foi enviada para todos os seus amigos ao mesmo tempo? E no esforço de dois cliques, sem que se trocasse uma única vírgula.

Convenhamos que receber uma mensagem dessa maneira é algo que soa, às vezes, banal. Ou você por acaso gostaria de receber de um namorado(a) a mesma mensagem que ele mandou para todas as suas(seus) exs? Não bastasse o fato de receber mensagens "genéricas", o mais decepcionante de tudo é imaginar que o remetente nem sequer se deu ao trabalho de escrever a mensagem, recebendo e despachando o texto já "pronto para enviar". Provavelmente o remetente não gastou mais do que 20 segundos para lhe mandar todas aquelas palavras dignas de um filme hollywoodiano.

Pode até ser que a mensagem seja enviada com a melhor das intenções, com o intuito de reforçar um sentimento verdadeiro, com intuito de se repassar a uma pessoa uma determinada mensagem que foi lida que a fez lembrar dela. Generalizar é sempre enganoso, e as palavras acima não se referem a todos os casos, porém, a impressão que se passa, ao se receber uma mensagem nessas circunstâncias, é a de um certo descaso.

Talvez se trate de um grande exagero manter esse tipo de raciocínio, mas acho interessante a idéia de destinar tratamento isolado e personalizado para as pessoas, afinal cada um traz consigo a sua diferente importância e presença. E foi justamente por isso, que eu respondi uma por uma cada mensagem de parabéns que me foi enviada no meu último aniversário, mesmo que fosse ao alcance de uma frase. O tratamento individual sempre foi mais sincero, ainda que estejamos na rede mundial de computadores. Pensem nisso, quando lidarem com sentimentos em mensagens encaminhadas. Também não estou dizendo para nunca mais o fazê-lo. E não é que a última piadinha que eu recebi no hotmail em relação ao deputado Severino era engraçada? Apesar de que receber piada engraçada na minha caixa de e-mail é como procurar honestidade no próprio Severino. Dá um trabalho...


Dica do circulares: "Compose" é sempre mais interessante do que "Foward".

Pop'nRollStar (4:38 PM)