Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
ICQ - 34383293
MSN - chchcobain@hotmail.com
RETROSPECTIVA CIRCULARES 2004
Janeiro
Música: At the Drive-In - One Armed Scissor;
Filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain/ Adeus Lênin;
Temas: Quebra da Parmalat, Vôlei Brasileiro em Destaque, 2 presentes fofos (thanks Naíza e Cibinha), viagem de férias ao sul e suas extensas novidades;
Frases do Mês: "Certas coisas nunca mudam. E justamente porque ainda tenho esta essência, continuarei com as mesmas metáforas infames".
Fevereiro
Música: Jet - Are You Gonna Be My Girl;
Filme: Escola do Rock / Encontros e Desencontros;
Temas: Promoção: "Ganhe uma promoção na sua vida" , da qual vários leitores do blog participaram, alguns ganharam, mas ningúem buscou o prêmio, notícias musicais, Veríssimo;
Frases do Mês: "Sua imagem embebedava meus pensamentos e como num lampejo, despertavam-me idéias profanas. A atmosfera tornara-se mórbida na sua ausência, e na espera de um novo reencontro, os segundos se tornavam horas";
"Nem todos os problemas podem ser resolvidos e nem todos os erros são corrigíveis, mas nenhuma tristeza é eterna."
Março
Música: Muse - Apocalypse Please / Wonkavision - Comprimidos;
Filme: Dogville;
Temas: Festivais Gringos, Diálogos Engraçados, Bush FDP, Guerra contra os críticos;
Frases do Mês: "Especial é aquele que admite o próprio erro. E nobre é aquele que perdoa";
"Por trás de sua falta de atributos e de sua carência reprimida há uma qualidade nobre que poucos sujeitos legais compreenderão: o sujeito chato sabe ser amigo como poucos".
Abril
Música: Cafe Tacuba - Eres/ Johnny Cash - Hurt;
Filme: Kill Bill;
Temas: Diálogos Engraçados, Páscoa, Esportes, Rock Latino, Nirvana, Cavaleiros do Zodíaco, Oferta de Emprego, Alter-Ego;
Frases do Mês: "E como toda a criança, nós, os falsos adultos, às vezes queremos apenas um pouco de atenção".
Maio
Música: Lemonheads - Into Your Arms / Pixies - Gigantic;
Filme: Diários de Motocicleta;
Temas: Oasis Frases, Bananada, Democracia, Curitiba Pop Festival;
Frases do Mês: "enquanto nós trabalhamos, estamos demasiadamente cansados e ocupados a ponto de não termos tempo para pensarmos em nossas vidas";
"Questiono-me sobre a origem de teus encantos e renasço quando de ti recebo atenção".
Junho
Música: Datsuns - Harmonic Generator/ Ludov - Princesa;
Filme: Requiem por um Sonho;
Temas: Orkut, Dicas Musicais, Street-Chaves, Eleições, One Hit Wonders;
Frases do Mês: "Sinto saudade dos momentos que não vivi. Degrido-me ao saber que a contagem regressiva do tempo passa e eu não consigo cumprir com tudo que planejo".
Julho
Música: Superphones - 9th Floor/ Lobão - Para O Mano Caetano/ Mew - Comforting Sounds;
Filme: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças;
Temas: Futebol Colombiano, Pré-Conceito, Festival Anti-Música, Garfieldianismo, Centro;
Frases do Mês: "A mais interessante face de sua metamorfose se apresentava à noite. Seus pensamentos tornavam-se melancólicos, e sua segurança do restante do dia mostrava-se insegura";
"A expectativa é sim, o aquecimento para a decepção";
"Sei da necessidade de conversões, não importa o preço a se pagar. Afinal de contas, todos nós sabemos que as dores sempre acarretam em mudanças".
Agosto
Música: Valv - Middle English;
Filme: Farenheit 9/11;
Temas: Cinefalcatrua, Go Music, Vereadores, Heróis, Dicas - musicas e filmes, Lembranças do passado;
Frases do Mês: "Sempre tive medo de fazer as escolhas erradas, mesmo porquê algumas delas são irremediáveis, e podem trazer conseqüências que lhe marcarão por muitos e muitos anos".
Setembro
Música: Los Hermanos - O Último Romance / Snow Patrol - How to Be Dead;
Filme: Peixe Grande;
Temas: Software Livre, Carlão do Centrão, Los Hermanos - Piri, Crise Blogueira;
Frases do Mês: "Nós precisamos das pequenas coisas da vida, dos programas simples e bobos com pessoas queridas, das loucuras tão infantis, dos abraços apertados, das belas palavras às vezes tão piegas, e principalmente da simplicidade para esquecermos o quão complicada é nossa rotina, nossos problemas e nossas desilusões";
"Sabia que, mais cedo ou mais tarde, todos se perderiam dele. E num suspiro, ele concluiu que precisaria de um pouco de ar para afastar os pensamentos nefastos".
Outubro
Música: Dissociatives - Horror With Eyeballs / Nada Surf - Inside of Love;
Filme: Transpoiting;
Temas: Xenofobismo, recomendações musicais;
Frases do Mês: "Pensava mais uma vez nas rotas em que ele seguiria, e desta vez, tinha certeza de que seria importante tomar uma direção de busca diferente, mesmo que não soubesse aonde esta direção o levaria a desembarcar";
"Nem todas as palavras hão de ser ditas, e esta é a provável motivação para todo este encanto".
Novembro
Música: Weezer - El Scorcho / Notwist - Day 7/ Réu e Condenado - Lua de Minérios;
Filme: A Má Educação;
Temas: Wonder Years, Eleições, Ironias, Ataque à esponjinha;
Frases do Mês: "Se cuido de ti, é porquê de certa forma eu te peço em atos para que cuide de mim".
"Mas se desejas de fato me compreender, é importante saber que algumas vezes o meu silêncio vale mais do que mil palavras de lamúria".
Dezembro
Nem preciso resumir... é só ler algumas páginas atrás!
E para o ano que vem? como será a retrospectiva 2005? Se houver...
Esperemos. =)
"I'm in the sky tonight
There I can keep by your side
Watching the wide world riot
And hiding out
I'll be coming home next year"
(Foo Fighters - Next Year)
"E ao mesmo tempo o que eu quero é só te falar
Para que sumas de mim antes de eu me perder
Pois eu jamais ousaria te abandonar
Pois as lágrimas cairiam sem eu me esquecer"
(Soulseeker - Matar Uma Agonia)
"This Fire is Out of Control. I'm gonna burn this city"
(Franz Ferdinand - This City)
"REVERENDO" MASSARI
Quem sempre se ligou a música ou jornalismo musical de qualidade nos anos 80 e 90, seja em rádios, jornais ou TV, certamente conhece ou já ouviu falar de Fábio Massari. Massari, que é apelidado de "reverendo" devido ao seu vasto conhecimento e discografia musical, é formado em Comunicações pela FAAP e de 1988 a 1996 e trabalhou na rádio 89 FM de São Paulo, em um período onde a programação da rádio era um pouco mais alternativa se comparada à atual programação. Nesta época, ele se destacou em um programa chamado "Rock Report", onde ele apresentava raridades, lançamentos, entrevistas e curiosidades da cena alternativa e independente do rock internacional. Entretanto, foi no seu trabalho de VJ da MTV, de 1991 até o início do ano passado, que ele se destacou em projeções nacionais.
Na MTV, Massari tornou-se VJ meio que ao acaso, ao ser colocado em substituição para apresentar um dos programas da emissora e se dar muito bem. Sempre exaltando um vasto conhecimento musical, ele foi responsável por apresentar alguns dos programas mais conceituais da emissora, como o Clássicos MTV, Lado B e Manifesto. Vale lembrar também de "Mondo Massari", um dos programas mais memoráveis já exibidos na MTV, onde o ex-VJ apresentava bandas obscuras do universo pop espalhadas por todo o mundo, desde bandas do Uruguai até o Paquistão. No "Mondo Massari" e em todos os programas apresentados por ele, o ex-VJ sempre fazia questão de apresentar e sugerir os bons sons, algo que gostava muito de fazer no Jornal da MTV. Costume esse, adquirido e copiado hoje por Edgard Picolli, atual apresentador deste jornal.
A passagem do "reverendo" pela MTV hoje parece ainda mais saudosa ao analisarmos o atual quadro da emissora, onde os novos VJs não se primam tanto pelo conhecimento musical, como os antigos Massari e Gastão Moreira, mas sim pela estética visual, como Daniella Cicarelli e Sarah. Mas os trabalhos deste monstro da rockcultura não pararam por aí. Em 2001, ele escreveu o seu primeiro livro, intitulado "Rumo à Estação Islândia", onde após passar 10 dias vagando pelos shows, bares, discos e livros da fria Islândia, ele resolve transcorrer em páginas pelo universo musical do país da Bjork. Em 2003, ele lançou o seu segundo livro, intitulado "Emissões Noturnas - Cadernos Radiofônicos de FM", onde ele descreve as entrevistas, anotações e momentos inesquecíveis durante os seus anos de trabalho no programa "Rock Rocket", citando depoimentos de gente como Nick Cave, Black Crowes , Sonic Youth, Primal Scream, Alice in Chains, Ramones, Slash, Henry Rollin e muitos outros. Que falta faz um cara desse na TV e no Rádio para orientar molecada de hoje.Ficam então as reverências deste blogueiro e uma música do Frank Zappa (banda favorita de Massari) no Winamp em homenagem ao reverendo.
WINAMP PLAYLIST
Wonkavision - Rejection Junkie
Bush - Homebody
Graforréia Xilarmônica - Beethoven
Ratos de Porão - Arranca Toco
Flaming Moe - Cold Enough To Face The Demon
Lake - Church
Relespública - Nunca Mais
Superoutro - A Ùltima Vez
Downers - Your Highness
Superphones - Lonely Dance
Eletrola - Alvo Fácil
U.D.R - Dança do Pentagrama
Ash - Cherry Bomb
AM Radio - Dream Girl
Cartola - Disfarça e Chora
Killers - Change Your Mind
Stone Fish - Dias de Chuva
Technicolor - Hair
The Jam - London Girl
Querido Papai Noel,
Imagino que o senhor deva estar um pouco confuso ao receber esta carta, afinal de contas, já se passam anos e anos desde a última vez em que lhe escrevi. E um dos motivos que me levam a procurar-te após tantos anos é a saudade que sinto de ti. Embora nunca tenha chegado a te ver de fato, lembro-me que tuas visitas anuais em minha casa durante os anos de minha infância sempre me proporcionaram muitas alegrias. E desde que parei de te escrever, confesso que os instantes de sorriso espontâneo, ingênuo e alegre tornaram-se cada vez mais raros em minha vida.
Talvez eu precise mesmo de uma de suas surpresas, um de seus presentes, já que você tem o dom mágico de atender aos pedidos das crianças de bom coração em todos os quatro cantos do planeta. Embora não pareça, senhor Noel, eu ainda sou uma criança. Continuo perdido, com medos, procurando me esconder debaixo de braços adultos protetores. Continuo ingênuo, e acreditando em muitas coisas que ainda assisto na televisão. E por fim, continuo querendo me esconder desta vida maluca que é a dos adultos. Prefiro apenas brincar, brincar, brincar.
Confesso que nem sempre sou um menino bem-comportado. Ás vezes eu erro, papai Noel. Há outras crianças que me machucam, e eu nem sempre consigo ser bom com elas, embora devesse ser bom com todo mundo. Outras vezes, erro por ser um pouco mimado e não saber controlar tantas vontades. Mas juro que não faço por mal, pois apesar de tudo, tenho boa intenção. Sigo tentando fazer muitas das coisas que disseram que era o certo a ser fazer. E eu tento ser bacana. Espero que me desculpe, e o senhor há de compreender, pois é um velhinho muito amoroso.
Então, senhor noel, ficarei muito feliz caso entenda os pedidos deste marmanjo ainda tão infantil. Só que desta vez eu não vou querer nenhum brinquedo. Quero muitas e muitas coisas, algumas delas eu tenho vergonha de falar nesta carta, pois tenho medo que alguém do correio a leia antes de mim. Mas o senhor é especial, e sei que sabes o que quero. E no mais, talvez todo o resto das coisas que eu desejo se resuma a muito amor. È isso, meu velhinho. Pode embrulhar como quiser, mas não se esqueça de me mandar amor, e eu quero de todos os tipos e de todas as cores, para poder desfrutar de todos os abraços de várias pessoas possíveis, pelo menos até a carta do ano que vem. Queria também que o senhor me enviasse um pouco de coragem, de criatividade, de bravura e acima de tudo, sabedoria. Tudo bem,sei que essa está em falta, mande só o que puder.
E se puder atender também os pedidos dos meus amigos, dos meus familiares, das pessoas que eu amo, eu ficaria feliz. Arranje alguém que faça minhas amigas sozinhas não serem mais tão sozinhas. Arranje alguém que coloque felicidade nos olhos do vovô. Arranje disponibilidade de tempo e amizades para aquela mocinha baixinha que é a mais importante para mim. Atenda os pedidos da amiga paulista que é fã do weezer e que me encorajou a escrever para o senhor. E assim, se puder ajudar também aquele amigo grandão, aquela mocinha querida que toma muita coca e mora tão longe, aquela outra grandona que gosta de beber, aquela outra baixinha tão legal e a da maluca também. E assim também, minha amiga de óculos e seu namorado, meus amigos e amigas que moram tão longe de mim, mas que gosto tanto deles também. Enfim, todos possíveis, pois sei que muitos deles também são boas crianças.
Espero não estar pedindo demais.
E muitos abraços para todos no Pólo Norte.
Feliz Natal e 2005 para o Senhor.
Carlos Howes.
Noise
A Imagem acima, retirada do site do Cyber Goiás , reflete muito bem a intensidade público-banda, bonita de se ver em muitos dos shows do Goiânia Noise. Na foto, temos o Fabrício Nobre, do MQN, mandando um rock de levantar os dedos, cercado pelo público, que invadia o palco insanamente. Grande imagem. Rock!
Template
Créditos do Template novo ao Pedro Saddi, tecladista de uma banda por quem eu tenho grande admiração (Violins) e um designer de mão cheia, que acerta bastante quando o lance é fazer templates. Prova da habilidade do senhor Pedro pode ser vista no blog de sua namorada, que volta e meia muda de template, e os templates feitos do Pedro para ela são um melhor que o outro. Aqui ele também acertou. Obrigado, cara!
* Ouvindo Graforréia Xilarmônica - Minha Picardia
Silêncio Profano
Não adianta crenças,santos,
Guerreiros do espírito ;
Software de última geração;
Se a solidão
Esta impregnada na alma ;
Se o coração não escuta
A voz da emoção.
Se os olhos não conseguem
Derramar nenhuma lágrima;
Se na privacidade de um segundo
O rosto daquela mulher
Atormenta os sentidos todos .
Já não existe o colorido das palavras.
Há morte de um sentimento ...
Não adianta pastorear os pensamentos,
Pois o "silêncio profano "
Emudeceu todos os prazeres
(Jorge H. Howes)
Publicitário, 51 anos. Há algum tempo passa por um momento financeiro difícil na sua vida, mas volta e meia na insistência está sempre tentando sair da pior. E há de conseguir. Isso tudo é esquecido quando se pensa num ser humano cheio de vida, bem-humorado, espirituoso e acima de tudo um poeta nas horas vagas. A poesia acima é dos arquivos dele. E orgulho do filho é muito grande. Seja do seu pai poeta ou da sua mãe heroína.
GOIANIA NOISE FESTIVAL
Sexta-Feira, 10 de dezembro
Antes mesmo do início de um dos maiores festivais de música independente do país, a décima edição do Goiânia Noise Festival já podia ser considerada por si só atípica diante das demais edições. Primeiramente, por seu caráter comemorativo, uma vez que bravos são aqueles que conseguem manter um festival de rock independente, com todas as suas dificuldades financeiras e falta de público e mídia por dez anos, ainda mais em uma cidade como Goiânia, uma capital que não chega a ser uma metrópole e não se encontra no centro das atenções musicais e artísticas do Brasil.
Outro fator diferencial desta edição do GNF foi sem dúvida as especulações e o desenrolares que aconteceram pré-festival, que inicialmente era programado para acontecer em um grande ginásio, com muitas bandas de peso, algumas outras internacionais e o fechamento por conta do MC5, uma lenda do rock que faria um show exclusivo no país para o festival. Entretanto, como tantos outros obstáculos tão comuns a quem promove eventos desse porte, um grande patrocínio caiu por água abaixo, e com ele a estrutura grandiosa do evento, algumas bandas e o show do MC5. Obviamente, a frustração tomou conta de muitos que aguardavam o evento, e até mesmo dos próprios organizadores. Cancelar ou não o festival? Ainda mais em sua edição comemorativa? Eis que os guerreiros da Monstro Discos resolveram seguir em frente com o festival, desta vez localizado no Martim Cererê (com capacidade limitada para 1000 pessoas) e com algumas bandas de menor porte. Mais "faça você mesmo" impossível. E desta forma, a edição de 2004 do GNF acabou mesmo por ser bastante parecida com muitas das edições anteriores que marcaram a história deste festival. Pode não ter sido o planejado, mas não deixa de ser uma homenagem.
Mas vamos ao que interessa. O primeiro dia de festival teve os seus prós e contras. A favor, uma organização de palco e som fantástica e a melhor estrutura de evento já organizada no Martim Cererê, com uma variedade enorme de tendas e barraquinhas a todos os gostos de quem procurava boas camisetas, bottons, cds, comida e aprechos. Ai meu dinheiro... Melhor me preocupar com os shows, que se iniciaram com as bandas locais Mob Ape e Señores, a segunda com punk-pop já conhecido e respeitado na cena local, e a primeira com um som um pouco mais pesado. Os brasilienses do Suíte Super Luxo fizeram então o primeiro show que assisti com vigor. A banda mostrou bastante influência do rock alternativo americano do início dos anos 90, numa referência direta aos Pixies, primeira banda que vêm a sua mente após escutar o som desse grupo. Tempos atípicos, baixista intercalando backing vocal, guitarras fazendo bom uso das pedaleiras são algumas das características apresentáveis do grupo, que foi seguido pelos pernambucanos do Superoutro, que de longe ameaçava lembrar seus conterrâneos do Mombojó dada o sotaque e os tons dos vocais. Mas essa afirmação se engana ao ouvir o som do grupo, um prato cheio para quem gosta de bandas melancólicas como Death Cab for a Cutie, banda que este pessoal deve ter ouvido com certeza. E muitas outras bandas certamente foram canalizadas pelos caras, o que refletiu em um som muito bem trabalhado, intimista, viajante, com letras de qualidade e em português. Destaque para "Como Gritar" e a bela "A Ùltima Vez".
Nada melhor para exemplificar a variedade do festival do que pular da melancolia para o peso. E os paulistas do Flaming Moe foram a boa surpresa da noite. Stoner Rock, Hard Rock...seja como for... com muita presença de palco e um rock de balançar arenas a banda fez os primeiros braços da noite se estenderem. Muito Hellacopters, Kyuss e Fu Manchu se faziam presentes no som do grupo que agradou a quem saboreia esse nosso bom e velho rock'n roll. Destaque para "Cold Enough To Face The Demon". Alguns braços continuaram balançando com Rollin' Chamas. E algumas risadas rolaram também. Os fantasiados, uma das revelações do ano na cena goiana, fizeram o tradicional show-festa, desta vez com direito a bolo de aniversário para o Goiânia Noise. Na continuidade, o NEM, outra banda local, se apresentou com formação diferente, desta vez com o ex-baixista do Hang the Superstars se integrando ao grupo e algumas canções novas. O Prot(o), por sua vez é uma banda brasiliense de shows já realizado pelo grupo nesta capital. Letras em português, peso e algumas experimentações à parte, confesso que nunca me prendi muito ao som do grupo. Não consegui assistir mais que poucas músicas. Enfim, não se pode gostar de tudo.
E se o Flaming Moe foi a surpresa, os gaúchos dos Irmãos Rocha! foram o melhor show da noite. Muita, muita diversão para quem assistiu o show do mais novo grupo a se integrar no hall de bandas da Monstro Discos. A banda, que hilariamente se auto-define como "rock regressivo", faz um som propositadamente tosco, mas deveras contagiante. As letras não tem lógica alguma e as músicas dificilmente passam da estaca dos 2 minutos. Mas quem precisa disso quando a banda sabe fazer chacoalhar em cima das boas influências de punk-rock e 60's? Quem precisa disso quando se tem um dos baixistas mais performáticos e carismáticos do rock gaúcho? Então, quem não assistiu perdeu calcinhas no palco, um cover de Beatles e muito "Bumbabum", "Uga-Uga" e afins. "Big City!" "Big City!", este pode não ser o caso de Goiânia, mas grande é a força de algumas banda locais no festival, e o Hang the Superstars comprova isso. Animado é o adjetivo mínimo para o show. Com suas backing vocais (destaque para a Eline loira), seu rock ramone-cramponíaco e o jeito drunkie de ser do vocalista Maurício, a banda foi a que mais empolgou e moveu o público na noite de sexta. A movimentação em massa no show do grupo me fez temer por domingo. Mas isso é outro papo. O que interessa é que this city "It's not London!", como dizia o vocalista. Ainda bem.
Após o show do HTS, os também goianos do Violins seguiam pela frente. Desta vez a migração foi do barulho para a melancolia. Melancolia? Acho bom começarmos a rever alguns conceitos. Em um show praticamente todo destinado a músicas do próximo álbum do banda, a ser gravado em breve, o que se viu uma banda cada vez mais pesada, com muitos riffs, distorções e presença animada de palco, que nem de longe lembrava o Violins and Old Books, que estreiava no Martim Cererê no Noise de 2001. Com todo esse peso, mas sem perder as letras de qualidade e aspectos melancólicos do som que marcaram o grupo, o Violins se mostra como uma banda mutante, que muda a cada trabalho, supreende e mostra qualidade. Isso é para pouco, que o diga o Flaming Lips, Radiohead ou Silverchair. Destaque para as ótimas "Hans" e "SOS". A única música do atual álbum Aurora Prisma tocada no show foi "Deus Você", sugestivamente a mais "pesada" do disco, com uma introdução empolgante. Um bom show, também se fecha legal. Quem aqui tem capacidade para dançar em fim de noite? Quem não tem podia experimentar tentar os Sapatos Bicolores, grupo brasiliense que acaba de lançar seu primeiro cd pela Monstro Discos. O álbum tem um encarte gráfico muito bem detalhado, e o conteúdo nem se fala. O O guitarrista/vocalista André Vasquez e sua trupe fizeram a alegria da mulherada, e agradou também os rapazes que gostam de um rock rockabilly, com bastante influência de rock clássico e de Jovem Guarda. Outra boa influência direta são os gaúchos do Graforréia Xilarmônica. Com tantos bons referenciais, resta apenas ouvir músicas como "Garota Cor-de-Fogo" e começar a dançar.
Duas bandas paulistas faziam o papel de headliners e fechavam a noite. A primeira delas, o Tolerância Zero, bebe na fonte de bandas como Rage Against the Machine, com vocais agudos, muito peso e letras fortes. Já o Muzzarelas, uma das bandas mais tracionais da cena independente paulista, foi uma das mais aguardadas. O som é o punk-rock, e o embalo é constante. Tanto quanto o meu sono, que não me deixou caracterizar muito as bandas de encerramento do dia. È esperar o sabadão.
GOIANIA NOISE FESTIVAL
Sábado, 11 de dezembro
O 2º dia do GNF iniciou-se prometendo muitos desafios de resistência. Afinal, eram 16 bandas para a noite mais longa do festival, que, com um Martim Cererê em sua lotação máxima (o que não é difícil para um festival deste porte) viu grandes shows durante a noite. E sem muitos atrasos, a abertura ficou por conta do Skyfuzz, uma das bandas a despontar este ano na cena local, que juntamente com o Lake, faz um som bastante influenciado pelo grunge de Seattle. Só que se o Lake é o Bleach, e o Skyfuzz é o Nevermind. Som pesado nos trinques e vocal rouco foram alguns dos atributos que ajudaram a garantir a presença do Skyfuzz no festival. E foi um show bem OK, bacana para um início de noite. Os Computers, outra revelação da cena local em bastante ascensão também subiram ao palco e fizeram um bom show, prova de que já passa da hora da banda garantir sua presença entre as grandes "Goiânia Rock City Bands". E dado o som bastante "guitar band", pode-se dizer que o Computers foi uma espécie de aquecimento para o Valv. E Aqueceu. Então foi a vez do Terrorista da Palavra, que com bastante pegada HC no som fez o show mais pesado da noite, dada a ausência do Necropsy Room.
Já o Shakemakers segue a linha tradicional. Rock'n roll clássico, daquele que o Elvis gosta, e muita gente também. O show da banda contou com a presença de Ciro, ex-baixista do NEM. Traseiros começaram a remexer sobre a boa presença de palco do vocalista, que visualmente se assemelhava levemente ao cantor Reginaldo Rossi. Então, garçom, sirvam os rockeiros. E se Necropsy Room não compareceu, era a hora dos paranaenses do Faichecleres fazerem o primeiro dos shows a marcar a noite de sábado. Podem não ter sido a melhor banda do dia, mas para o público, foi a mais empolgante. Músicas como "Metida Demais", "Casalzinho Pegando Fogo", "Ela Me Quer Só Pra Me Ter" e "Aninha Sem Tesão" desfilavam na boca de muitos, e o amassa-amassa do público chegou antes mesmo do Cachorro Grande no domingo. Rock jovem guarda, retrô, dançante e letras "sem-vergonha" foram as armas do trio, que ganharam (e disparado) o título de mais bêbados do festival. È difícil dizer algo que o baterista Tuba não tenha aprontado. Dentro ou fora do Teatro. Merecia um post inteiro só para citar as peripécias dessa figuraça.
Seguindo com uma das tríades de shows mais incríveis do GNF, eram a vez dos mineiros do Valv voltarem a Goiânia, dois meses após a apresentação grupo no Democracia. Com um repertório a mesclar músicas do EP "Ammonite" e do cd "Sense of Movement" (talvez o melhor álbum independente do ano) o Valv mostrou sua melancolia pesada, distorcida, guitar, forte. Tornei-me bastante suspeito a definir esse show, dada minha admiração pelo som dos caras, mas citar que a banda saiu do palco com o público cantando em coro "Over It" já ajuda a ter uma idéia de como foi o show. E a seqüência final da tríade conduzia ao Réu e Condenado, talvez a banda goiana de maior respaldo fora do Estado em 2004. E, um pouco mais de um ano sem tocar na cidade natal, o Réu e Condenado fez um show que já era garantido antes mesmo de começar. Sons de desenhos animados, letras divertidas de sempre, piadas cafonas e hits certeiros embalaram o show, que durante a primeira metade foi tocado com a formação "dupla+computador" e na segunda metade "dupla+banda". Bons momentos foram a participação de Kátia Aguiar (ex-Bidê) e para a versão engraçadíssima que a banda montou para a música eternizada "I Will Survive". Algumas pessoas do público subiram ao palco para o desfecho com "Bob Paraguassu". Dos que subiram ao palco, destaco um certo garoto de camisa vermelha, boa presença.
Os bahianos do Retrofoguetes, banda de presença constante nos festivais da Monstro deram seqüência ao seu show, sempre com boas influências de rock'n roll e surf music. Não fizeram um show ruim, mas também confesso que já vi apresentações melhores do trio. Já os pernambucanos do Astronautas fizeram um show bacana, com seu "rock tecnológico de peso". Pode-se dizer que estamos tratando de uma banda temática. As máscaras, o visual e as letras do grupo remetem sempre a tecnologia, comunicação, modernidade, coisas espaciais... Destaque para "Tecnologia", "Máquinas" e "Cidade-Cinza". E para quem gosta de rock instrumental bem tocado, o dos gaúchos do Pata de Elefante agradou. Solos, Groove's, psicodelia, rock e anos 70 foram algumas das várias influências e características que se pode perceber no som do banda. Na seqüência, as duas bandas locais de peso da noite: Mechanics e Resistentes. O primeiro, nas influências de rock garageiro e HQ's fez um show ainda tentando afixar as músicas novas. Já a segunda, é punk rock total.
"Olá Amiguinhos!". Com seu chavão tradicional, Thunderbird, dá início ao show de sua banda, o paulsitas do Devotos NSA. Com bastante carisma o ex-vj da MTV e seus comparsas apresentaram muito rock retrô, de garagem e punk em faixas como "Namoradinha", "Motoboy" e "Pau no Cu". Destaque para o tecladista, que em cima da base da banda, deitava e rolava em solos interessantes. Após o show da banda do Thunder, fica a prova de que um bom VJ é também um bom rock star. E se o lance são os "frontmans", que tal os cariocas do Mustang? A banda liderada por Carlos Lopez, ex- Dorsal Atlântica (uma das primeiras bandas de metal do país) é a síndrome do "rock de macho" e da chapação. Com bases musicais de punk e hard rock, o guitarrista/vocalista, em seu tradicional figurino vermelho, se apresentava em cima de muita virtuose sonora. Sem tanta movimentação, a atenção era guardada para o desfecho com os paranenses do Relespública. Queridos da Monstro Discos, o trio tem em Goiânia uma espécie de segunda casa, o que não torna difícil o agrado em cima do grupo. Mod, rock sessentista e Ira! são algumas das influências perceptíveis da banda, que em um show de quase 20 músicas apresentando músicas conhecidas como "Garoa e Solidão", "Nunca Mais", "O Camburão" e "Essa Canção". Covers de The Who, Kinks e Beatles e muitas participações (F. Nobre, Thunderbird, Daniel Mossmann ) foram outros aperitivos da apresentação, que contou com muitas participações e conseguiu o feito de fazer muitos se divertirem às 4 horas da manhã, após vários e vários shows. Assim como na Bananada de 2001, o Relespública mais uma vez fez uma das apresentações mais memoráveis da história dos festivais da Monstro Discos. O Desfecho com várias bandas no palco tocando "Rock'n Roll All Nite", do Kiss, não poderia ter sido melhor. Melhor show de sábado. Que venha o domingo.
GOIANIA NOISE FESTIVAL
Domingo, 12 de dezembro
A última noite de shows do GNF festival começou ainda cedo, no fim-de-tarde, e chegar ao seu final já se mostrava um desafio para muitas pessoas, que penavam sobre efeitos de ressaca, cansaço físico e noites mal-dormidas após duas madrugadas de festival. Tentando esquecer as condições já precárias das minhas pernas, eu segui adiante show após show. E que fosse lá o que for. E o Lake, banda local a ganhar o concurso de bandas FMI, abriu a noite. Assim como Skyfuzz, a banda tomou espaço de representação grunge na cidade. Com a diferença de que o Lake tem mais anos de estrada, e sim, é uma banda mais poderosa que a Skyfuzz. Com seu público já fiel (no show já percebia-se aglomerados de garotos com camisetas de flanela), e com um som mais sujo, o Lake mandou o seu barulho, com destaque para o já hit "Church". Sem algum intervalo, os também banda local ZenTropa mostrou o seu som, que apresenta diversificadas influências, tornando difícil a sua definição. Fica um pouco sobreposto apenas alguns elementos de psicodelia e alternativo dos anos 80. O ponto forte da banda está no talento individual de cada um dos integrantes, que apresentam total familiaridade com seus instrumentos. Pelo horário, infelizmente não chegaram a pegar o Teatro com grande público.
Era então a hora dos paraenses Eletrola, que certamente viajaram bastante para tocar no festival. A viagem compensou. Pelo menos para quem assistiu a banda fazer um pop pesado, que em alguns momentos soa um pouco hard, apresentando muita distorção e letras assimiláveis, cantadas em português. È mais uma ótima banda a se juntar ao grupo de bandas a fazer um pop do bem. Destaque para "Alvo Fácil" e "Não Pode Chover". Já os cariocas do Billy Goat preferem apenas o peso. Fizeram um show com bastante influências de Hard Rock, Stoner e Rock Setentista. Não foi ruim, mas confesso que esperava um pouco mais. Também pesados, mas com certeza em um praia um pouco diferente, os paulistas do Daniel Belleza mandaram hard rock, glam, punk , garage no som e androginia no palco. Difícil passar desapercebido pelo visual andrógeno e diferenciado dos caras. E o som movimentou as primeiras rodas de um dia em que o público ainda teria muito a pular.
Seguindo a programação eclética do festival, o Barfly, prata local da Mostro Discos apresentou mais uma vez o seu som influenciado por rock britânico dos anos 80 e britpop dos anos 90. Durante o show, predominaram as novas canções do grupo, como a bela "Disturbing Sun". Além disso, a banda tocou duas canções do EP "Days Should Make You Smile", incluindo a cantarolável "Thoughts I Had in Mind". O ponto forte da apresentação ficou por conta do cover de "Time is Running Out", do Muse, que agradou bastante alguns presentes. E como os brasilienses do Deceivers se ausentaram do festival, os gaúchos do Tequila Baby se aponderaram do palco para fazer um dos shows mais embalados do festival. O punk-rock ramoníaco de canções como "Melhor do Que Você Pensa" deixou os "punkers" de plantão eufóricos. Os seguranças tiveram que subir no palco para conter tanta euforia. E eles ainda ter mais trabalho pelo resto da noite.
Ao chegar para assistir ao show dos paulistas do Jumbo Elektro, a primeira impressão é a de se estar diante de uma versão moderna do Village People. Com os integrantes todos fantasiados (de comunista, motoboy, japonês...) a banda fez um show musicalmente e esteticamente empolgantes. A presença de palco cativante, e o som bastante electro, que ao se juntar com as guitarras soava uma verdadeira "rockatrônica" fez muitas pessoas pularem. O cover inusitado de Stooges no desfecho foi uma verdadeira reconstrução da música. Criativos e divertidos, a banda foi a revelação do festival, prova se dá pela quantidade de cds que venderam na barraca da Monstro Discos. E olha o público dando trabalho (no bom sentido) denovo: show do MQN. O grupo do showman Fabrício Nobre todos os anos faz um show melhor que o outro. Depois da apresentação emocionada do Noise do ano passado, desta vez a apresentação foi explosiva. Como o teatro já se tornava pequeno para a empolgação diante de pertados do stoner/hard rock do grupo como "Let it Rock" e "Cold Queen" (que contou com a participação do integrantes do Cachorro Grande) o público resolveu tomar conta do palco junto com a banda. Aí foi zona total. Até mesmo os integrantes das outras bandas assistiam o show impressionados com a paixão rocker do público.
A noite das apresentações inquietas seguiu com o Valentina, liderados pelo também showman Rodrigo Feoli, e que neste show apresentou uma formação diferente, com Marcelo( Zeroes, Fantasma de Agnes, Zentropa) na guitarra e Iuri Freiberguer (Tom Bloch) na bateria. Com um público já ganho, restou apenas mandar músicas como "Lá" e deixar a empolgação tomar conta do teatro. Depois dessas duas bandas locais, mais uma vez paulistas subiam ao palco: o Detetives vinha mostrar em músicas como "Shine" e "Fracassado" o seu rock com influências de surf music e psicodelia. Com o sotaque forte do vocalista argentino Alejandro e a boa pegada do batera Clayton (ex-Ostras) a banda manda um som bacana. Porém, tocaram para poucas pessoas, já que boa parte do público já se aglomerava em frente ao outro teatro para assistir os gaúchos do Cachorro Grande. E toda a aglomeração faz sentido quando se fala deles, afinal eles fizeram em julho o show mais empolgado presenciado por esta cidade, neste ano. Desta vez, a banda tocou por pouco tempo, com um set list limitado e sem a mesma receptividade calorosa do show anterior, mas ainda sim, um senhor show bastante animado. Músicas dos dois álbuns do grupo e mais duas músicas novas fizeram com que cada segundo de show fosse bastante válido. E já se provou que o rock sessentista do grupo é bastante querido do público.
Para fechar a noite e o festival, os gaúchos do Bidê ou Balde vieram mostrar o melhor pop feito no Brasil na atualidade. Com muito pula-pula e empurra-empurra, o show deu bastante trabalho à segurança. E o vocalista Carlinhos atiçava o público a mexer com os seguranças: "Olhem! Que bonitinho os seguranças de mãos dadas!". Confusões a parte, é incrível o potencial de palco do grupo. A banda, que fez um show um pouco aquém da sua capacidade diante das apresentação anteriores do grupo em edições passadas do Festival e na Bedrock¿s, ainda assim conseguiu fazer o melhor show de domingo. Fizeram o público bastante cansado conseguir pular e cantar diante de canções dos álbuns "Outubro ou Nada" e "Se Sexo..". O cover inusitado de Nirvana também foi um ponto alto do show. A banda também mostrou as boas novas canções do novo álbum "È preciso dar vazões aos sentimentos". O show contou com a participação da ex-tecladista Kátia Aguiar, mas desta vez quem tomou conta das teclas mesmo foi a carismática Vivi. Diante das grandes limitações financeiras, estruturais e da ameaça de desistência do festival, o 10º GNF recebeu um grande presente de aniversário em termos de shows e público. Alguém aí falou em MC5? Acho que não sei do que se trata.
BIB'S
Algumas vezes perguntaram a mim, chocólatra assíduo, sobre qual seria o meu chocolate favorito. Tenho tanto apreço por diversos derivados do cacau que nunca consegui responder com firmeza essa pergunta. Esta semana, tive uma nostalgia ao comer um pacotinho de Bib's de Chocolate com Amendoin, da Neugebauer, algo que sempre gostei desde pequeno (aprendi com a minha mãe, também apaixonada nesta pequena delícia da tradicional fábrica sulista), mas que há tempos não comia por falta de oportunidade e também de disponibilidade, uma vez que não é um chocolate que se encontre em qualquer bar, apenas em supermercado e alguns raros postos. Ao olhar para as migalhas que em poucos minutos não sobraram da embalagem vermelha do Bib's, não tive dúvidas em afirmar: "Está aí o meu chocolate favorito".
Para dar água na boca, uma pequena foto de todos os modelos de Bib's tirado do site da Neugebauer. À esquerda, ele, o vermelho, sabor supremo.
PS: A ausência de textos interessantes neste blog se deve à canalização dos esforços deste blogueiro em pró do projeto Soulseeker. =)
Algumas Constatações Importantes:
1- Ninguém nunca me amou como o vírus da gripe. Há mais de três semanas ele me faz companhia de dia, de noite e em todos os momentos possíveis. Eu tento dispensa-lo a todo tempo, mas ele nunca desiste de mim.
2- Eu realmente tenho ajudado bastante a enriquecer ainda mais os donos das franquias locais do Habib's.
3- Meu tempo geralmente é insuficiente para executar as idéias que tenho em mente. As idéias são muitas, e alguma insegurança também.
4- Preciso ouvir mais "Eu Sou Tão Mau", do Réu e Condenado, para ver se eu aprendo a lição de uma vez.
5- Entre algumas decepções e algumas boas notícias, no final das contas, mais uma vez a minha auto-análise do fim-de-semana chegou às mesmas conclusões.
6- As crianças não deveriam assistir novelas e filmes com finais felizes.
7- Notwist é uma banda que deveria ser ouvida. Alternativo, Pop, Música Eletrônica são muito bem fundidas pelo quarteto alemão que consegue fazer o electro soar emocionante.
8- Ao assistir a continuação do filme da "Bridget Jones", eu confesso que ria mais da trilha sonora do que necessariamente do filme.
9- Uma Playlist com Queens of the Stone Age, RDP, Stooges, Hellacopters e The Clash levanta até defunto.
10- Como eu ainda não sou defunto, não sei quem vai me levantar.
Um cd Importante: Valv - Sense of Movement
Melancolia e Peso são duas características que quando bem agregadas ao som de uma banda, podem fazer um verdadeiro estrago. No bom sentido, é claro. E o Valv, um quarteto mineiro que surgiu há cinco anos é um exemplo do bom uso dessas duas características. A banda, que lançou recentemente seu primeiro disco, entitulado "The Sense of Movement", já vinha galgando um certo respeito no meio independente com um EP (Ammonite) e shows bem receptivos em lugares como Goiânia, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Com algumas influências de guitar bands e emo-core, o Valv é uma banda que sabe fazer o bom uso de distorções e riffs prolongados em pró das letras emotivas.
"Sense of Movement", o álbum, é um apanhado de músicas a causar arrepios aos sentidos. Desperta uma necessidade plena de gritar, algo contraditório ao vocal de Alessandro Travassos, que não se arrisca a tons mais elevados. E precisa? Com a guitarra em mãos, ele fecha o time sonoro com Luciano(guitarra), Daniel (baixo) e Alexandre(bateria). Potencial sonoro esse que já se percebe em "God", a primeira e uma das mais fortes faixas do disco. Outras boas pedidas são a conhecida "Middle English" , que remete à "Over It", melhor faixa do antigo EP. Merecem uma boa audição também a acústica "Rhyme Royal" e a faixa-título "The Sense of Movement", que conta com a participação de Fernanda Takai. Para você que gosta das "brazilian american-english bands", eu me arriscaria a dizer que essa é umas melhores (senão a própria) bandas brasileiras a fazer som na língua do Tio Sam.
Ouvindo Superoutro - A Última Vez
Ouvindo Superoutro - Como Gritar
MENTIRAS CONSENSUAIS
Existem pessoas felizes e pessoas infelizes, e todas elas se questionam... Se existe uma coisa que nos unifica são as dúvidas que trazemos dentro. São pequenas angústias que se manifestam silenciosamente, angústias que não gritam, ou gritam somatizadas em úlceras, insônias e depressões. Angústias diante das mentiras consensuais.
O que são mentiras consensuais? São aquelas que o mundo topou passar adiante como se fosse verdade. Aquelas que ouvimos de nossos pais, eles de nossos avós, e que automaticamente passamos para nossos filhos, colaborando assim para o bom andamento do mundo, para uma sanidade comum. O amor, sentimento mais nobre e vulcânico que há, tornou-se a maior vítima deste consenso.
Mentiras consensuais: o amor não acaba, não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo, quem ama quer ter filhos, quem ama não sente desejo por outro, amor de uma noite só não é amor, o amor requer vida compartilhada, amor entre pessoas do mesmo sexo é antinatural.
Tudo mentira. O amor, como todo sentimento, é livre. È arredio a frases feitas, debocha das regras que tentam lhe impor. Esta meia-dúzia de coordenadas instituídas como verdade faz com que muitas pessoas achem que estejam amando errado, quando estão simplesmente amando. Amando pessoas mais jovens ou mais velhas, amando pouco, amando com exagero, amando homem casado ou mulher bandida ou platonicamente, amando e ganhando, todos eles, a alcunha de insanos, como se pudéssemos controlar o sentimento. O amor é dono dele mesmo, somo apenas seu hospedeiro.
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Todos nós, que estamos quites com as verdades concordadas, guardamos, lá no fundo, algo que nos perturba, que nos convida para o exílio, que revela nossa porção despatriada. É a parte de nós que aceita a existência das mentiras consensuais, entende que é melhor viver de acordo com o estabelecido, mas que no íntimo não consegue dizer amém.
(Martha Medeiros)