Apenas idéias anexadas, com nexo ou sem nexo, formando um circulo vicioso de pensamentos.
Carlos Henrique de Castro Howes
04/01/83
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Segunda-feira, Junho 28, 2004
CDS
RUÍDO ROSA - PATO FU
Já é antiga aquela velha história de que o mainstream e a qualidade não combinam. Muitas bandas antigamente consideradas criativas são acusadas de perder boa parte de sua criatividade ao assinar com as majors, tocar em rádios, filmar vídeos, e principalmente, atingir o gosto popular. Assim, a conclusão é tirada na máxima de que você deve se encaixotar a um modelo para entrar no mercado. E esse modelo é repetitivo, certo? Em alguns casos sim. Entretanto não nos esqueçamos de que as generalizações costumam a ser em sua maioria, enganosas.
Amparados pela BMG, produzidos por Dudu Marote, freqüentadores assíduos das maiores rádios de pop-rock do país e com seu último cd mixado em Londres, o Pato Fu faz parte do grande time das bandas nacionais. A receita do sucesso é o pop fácil, que desce tão bem quanto um bolo de chocolate. Mas juntamente com grupos como Los Hermanos, Bidê ou Balde e Penélope, o recheio do bolo "Fu" certamente é um dos poucos consistentes no confeitaria do pop de alto escalão brasileiro. E o Ruído Rosa, sexto álbum do quarteto mineiro, é provavelmente o bolo mais gostoso já produzido pelo grupo. A base do seu recheio é a criatividade, a esquisitisse, a doçura, e acima de tudo, a inteligência.
A primeira mordida do bolo é um convite para mais degustações. O álbum se inicia com "Eu", clássica cover do extinto grupo gaúcho Graforréia Xilarmônica que foi acrescida de guitarras e teremim. E assim, as duas outras covers do disco também não decepcionam: "Tolices"(Ira!) e "Ando Meio Desligado"(Mutantes). Nestas canções e no restante do disco, vemos a presença de alguns barulhinhos, chiados, ruídos...não se assustem..é realmente proposital, mas não estranho, pois os barulhinhos se encaixam em seu lugar junto com as guitarras, com os grooves, com os arranjos eletrônicos. Ou talvez com o cavaquinho que se faz presente na instigante "Tribunal de Causas Realmente Pequenas", que se inicia em um samba e termina em um rave guiada por baixos eletrônicos. Letra criativa, assim como nas ótimas "2 Malucos" e "Que Fragilidade". Questione-se no rock "Deus" e perca seus pensamentos nas baladas "E O Vento Levou" e na lindíssima britânica "Ninguém". Provavelmente as avós dos bons mineiros devem se orgulhar das sobremesas que o quarteto produz.
EUPHORIA MORNING - CHRIS CORNELL
Chris Cornell, hoje vocalista de um dos grupos mais famosos da atualidade: o Audioslave. Chris Cornell, ex-vocalista de um dos grupos mais lendários da década de 90, os incendiários do grunge conhecidos como Soundgarden. Entretanto, o que alguns não sabem é que entre os ótimos Soundgarden e o Audioslave, nós tivemos o Chris Cornell trovador, que no final de 1999 lançou o álbum Euphoria Morning. Um álbum diferente da estética sonora das duas bandas, mas que em termos de criatividade, qualidade e ousadia deixaria o audioslave e até mesmo alguns álbuns do soundgarden a comer poeira.
O Euphoria Morning é uma opção do cantor pelo caminho mais difícil, ou seja, seguir o caminho contrário do então bem-sucedido e acabado soundarden. Um caminho de acerto. Cornell decidiu investir no seu lado melódico, e a conseqüência foi um álbuns de belas melodias, ainda mais reforçadas pelo seu refinadíssimo gogó, que talvez seja um dos melhores da atualidade. Sua voz destaca-se em altos tons, e oscila entre o sereno e o emocionado, como se vê na arrepiante "Preaching the End of The World", onde o vocalista diz procurar alguém para passar ao seu lado no fim do mundo. Essa melancolia às vezes é crua, como na balada "voz-violão" da não menos linda "Sweet Euphoria".
Os experimentalismos também se fazem presentes no álbum. Algumas influências de world music podem ser percebidas. Na faixa-single "Can¿t Change Me", uma certa influência oriental e beatlemaníaca pode ser percebida, onde Cornell refere-se à uma mulher que consegue ter o mundo aos seus pés, mas não a ele. E assim, a maturidade de Cornell também se faz presente em "Wave Goodbye" e em "Sunshine". Este é o único registro solo do vocalista, que pouco depois se ingressou no audioslave. Compenetrado com o grupo, o cantor diz não ter pretensões de lançar um outro álbum solitário tão cedo, e de que os experimentalismos e as melodias que emocionaram até pedras em "Euphoria Morning" foram um caso á parte na sua carreira. Certamente, se a carreira do bom Cornell fosse um livro, uma boa página para ser usada como marcador seria a deste álbum.
Que tal ser respeitado na cena alternativa norte-americana, conhecido na cena comercial e ter admiradores do calibre de Dave Matthews e Evan Dando, tendo apenas 21 anos? Ben Kweller, o dono desta proeza, começou na música mais cedo ainda do que se imagina. Em 1997, com apenas 15 anos, o garoto texano apareceu no meio musical como líder do Radish, um grupo grunge-punk que produziu um hit("Little Pink Stars") e excursionou com Mercury Rev, Wilco e outros mais. O grupo acabou em pouco tempo, e Ben passou a tocar sozinho pela cena alternativa durante alguns anos, e amadurecendo cada vez mais, até que em 2002, ele lançou seu primeiro trabalho solo, conhecido como "Sha Sha".
A estréia de Ben Kweller foi a melhor possível. "Sha Sha", repleto de blues, pop e folk rock é um álbum sincero e emocionado, que já pode ser considerado uma pérola do indie rock, rementendo à bons trabalhos de grupos como Lemonheads e Pavement. Com músicas simples e belas como "Falling", Ben ouriçou a crítica especializada e foi apontado por alguns como uma grande promessa. A responsabilidade de seu grande primeiro trabalho criou muitas espectativas para o seu trabalho seguinte, conhecido com "On My Way", lançado recentemente. O álbum pode ser considerado uma continuação do seu primeiro trabalho, contendo o mesmas influências do registro anterior, porém desta vez acrescido de mais influências setentistas e do country. O compositor também se solta mais no piano, e lança outras boas canções como "I Need You Back" e "My Apartment", o grande destaque do disco e também a faixa de mais fácil aceitação. Continuam os bons elogios em cima do talentoso garoto, mas todos nós sabemos que uma grande expectativa pode tornar-se uma faca de dois gumes.
MIKE PATTON
Certamente você já ouviu falar de Faith No More. Especialmente se você é brasileiro e viveu intensamente a cena musical do início dos anos 90, onde o grupo tinha um grande reconhecimento internacional, em especial no Brasil, onde foi um dos grandes destaques do Rock in Rio 2. Os americanos, donos de clássicos como "Epic", "Falling in Pieces", "A Small Victory", "Take this Bottle" e o cover "Easy" faziam uma mistura do som pesado do metal com grooves de funk e influências do jazz e do rap, antes mesmo que o hoje conhecido new metal sonhasse em existir. Um dos grandes segredos do FNM era o seu vocalista, Mike Patton, dono de um dos melhores vocais dos últimos anos, que se destaca principalmente pela sua variabilidade . Patton sempre destacou-se tanto em músicas pesadas, onde o cantor sempre emitiu fortes gritos graves, quanto em músicas melódicas, onde o sujeito parecia cantar como um canário. Sua alternância de tons e apresentações intensas serviram de inspiração para muitos outros vocalistas seguintes, como Serj Tarkjan, do S.O.A.D.
Nos meados da década, entretanto, o FNM faleceu, facilitado por algumas intrigas internas. Seus integrantes partiram para projetos diferentes, incluindo Patton. O vocalista evitou o estrelato do período FNM e montou várias bandas, cada uma delas bastante diferentes entre si, e recheadas de influências das mais bizarras, malucas e sombrias possíveis. Fundou uma gravadora chamada Ipecac Records, para poder lançar todas as suas maluquices, além de outras bandas alternativas. Foi considerado esquisito por alguns e genial por outros. Entretanto não dá para negar que a criatividade e o experimentalismo do sujeito são bastante únicos.
Dentre os vários projetos lançados por Patton nos últimos anos, dois merecem destaque. Um deles é o Mr. Bungle, projeto já existente desde a época do FNM, mas que ganhou mais dedicação do cantor após o fim do conjunto. O Mr. Bungle leva a esquizofrenia às últimas conseqüências, chegando a tocar mais de 3 ou 4 gêneros musicais numa mesma canção. São canções onde as pirações de Patton perdem o seu limite. Fica difícil falar sobre a banda. Recomendo a faixa "Goodbye Sober Day", do último disco Califórnia, onde percebe-se schizo-funk, metal, jazz, cadências alternadas, ruídos e tudo que a maluquice lhe permite. O outro projeto de Patton a merecer destaque é o Fântomas, banda que além de Patton conta com conta Dave Lombardo (ex-Slayer) na bateria, Buzz Osbourne (Melvins) na guitarra e Trevor Dunn (Mr. Bungle) no baixo. Samplers de trilhas sonoras de filmes, grindcore, jazz... mais um outro projeto esquizofrênico do vocalista, cujo um dos objetivos é reproduzir bastante climas de filmes, especialmente de terror e suspense antigos. Uma boa pedida seriam as músicas "Night of the Hunter" e "Der Golem", esta última cantada em alemão. Atualmente, outros projetos de Patton são a participação de Patton no filme Firecracker, de Dennis Hopper, além de um projeto solo chamado Pepping Tom e outros projetos com os integrantes do Massive Attack e Prodigy. Compreender a mente deste workaholic conhecido como Mike Patton é uma tarefa complexa, mas interessante para quem aprende a apreciar suas difíceis canções. Talvez ele seja apenas um assassino dos padrões, talvez um vanguardista à frente do tempo na música alternativa americana ou um simplesmente baita vocalista ousado. Ou quem sabe um sujeito que não deveria estar em outro lugar que não fosse o hospício. Em se tratando de Patton, a maior maluquice de todas seria tentar defini-lo.
Obs: Quanto ao Trófeu SMC, não vai haver vencedor. Diante da "qualidade dos candidatos"( Dinho Ouro Preto, Faustão, Sarah, Eu, Você, Dado Dolabella, Sandy...), fica difícil apontar um vencedor. Seria uma injustiça diante de tamanho equilíbrio. Ou seja, se você quer transformar o mundo num lugar bom de se viver, você tem muita gente a matar.
O Pensamentos Circulares, na sua nobre função de destacar aqueles que devem ser destacados, resolve agora dar destaque àquelas pessoas "malas", que irritam, te tiram do sério, e te fazem pensar se a pena de morte às vezes não seria válida. Assim, este blog criou o Troféu Sujeito Mais Chato, que servirá de reconhecimento às pessoas que prestam um grande teste à paciência alheia. Como um exímio membro entendido do grupo dos chatos, faço com orgulho a contagem dos votos. Dêem sua opinião nos comentários. Vale citar pessoas próximas, famosas, conhecidas, qualquer um. Quem é o "chato-mor"?
As eleições municipais nesta capital serão mais indigestas do que tomar café com sal. Pelo menos a julgar pelo nível dos candidatos. Eu diria que a opção de escolha está quase inexistente, e arranjar um candidato de médio nível (leiam, não estou dizendo bom, estou dizendo médio!) parece uma tarefa bem complicada. Vamos analisar o nosso quadro de concorrentes à cadeira de prefeito. Como candidato temos: um péssimo locutor de rádio sertaneja, um figurão da política nacional que mandou e desmandou muito mas hoje está em decadência, um sujeito que muda da esquerda para direita(ou vice-versa) e de partido como se trocasse de roupa, uma ex-apresentadora de TV barraqueira aliada à latinfundiários e alguns outros mais que não fogem tanto deste escopo. Na boa, talvez uma mobilização para implantar uma ditadura nesta cidade não seja uma má idéia. Tudo bem, então, faremos uma anarquia, se preferirem. Ou talvez, um seqüestro em massa durante o primeiro debate televisivo dos candidatos. Espero sinceramente, que os leitores deste blog de outras cidades não passem pelo mesmo problema. "Ê Carlos, controla tua língua", diz um lado meu agora. Talvez esse lado seja um pouco mais "racional".
Que o sucesso de uma banda não é eterno, isso nunca foi novidade para ninguém. No mundo da música, especialmente no mundo do rock e do pop, praticamente todas as bandas passam pelos estágios "nascimento-apogeu-declínio-morte". Entretanto, algumas destas bandas têm o seu período de apogeu muito pequeno, muitas vezes se resumindo a um disco só. Até por isso existe a chamada síndrome do segundo disco, que tanto afeta as bandas que atingem um grande sucesso ou reconhecimento, passando a ter medo de não repetir seus feitos bem-sucedidos anteriormente e desaparecer. Um bom caso a ser citado são o The Strokes, que passaram um bom tempo gravando e regravando o seu 2º álbum, "Room is on Fire", pelo medo de cair nesta síndrome.
Há ainda aqueles que conseguem ir mais longe neste problema. Ou, melhor, mais curto. São aquelas bandas que atigem o sucesso com uma música só, e depois, nunca mais retornam aos holofotes. As chamadas "one hit wonders" sempre existiram, e como não poderiam ser diferentes...muitas delas poderiam ser destacadas neste últimos 15 anos. Quem não se lembra do Four Non Blondes e sua "What's Up?". Que tal o Sixpense None the Richer e sua "Kiss Me"? Ou do Couting Crows, que lançou e ainda lança muitos trabalhos, mas que nunca repetiu o mesmo sucesso de "Mr. Jones". Há aqueles cujo o trauma é tão forte que a banda definitivamente desaparece do mapa. São os casos do Fastball ("The Way"), Bloodhound Gang ("The Bad Touch") ou Meridith Brooks("Bitch"). O que esse pessoal deve andar fazendo hoje em dia?
No Brasil bons exemplos também não faltam. Aliás, sobram. Eu diria que nos últimos anos, o mais clássico deles foi o Virgulóides que tocava de norte a sul com seu samba-rock "Bagulho no Bumba", e que hoje em dia devem estar trabalhando em um bar qualquer. Eles ainda tentaram em um segundo disco, mas não adiantou. Não iram para o programa do Gugu nunca mais. E assim, poderíamos citar também o Cogumelo Plutão ("Esperando na Janela"), Catapulta ("Puêra") e os maravilhosos Vídeo Hits, que enceram sua carreira sem repetir no primeiro disco alguma música que alavancasse como "Vo(C)". Porém, acho que o mais bizarro dos exemplos seria o Ronaldo e os Impedidos, banda formada pelo então goleiro do Corinthians Ronaldo, e apadrinhada pelo batera dos titãs, Charles Gavin. Sua "Eu Não Sei", deu muito o que falar, especialmente porque o tal "Ronaldão" tentava parecer bastante o Elvis Presley. E o preço de mexerem com alguém morto foi caro. A banda nunca mais repetiu o sucesso da primeira música, foi demitida da gravadora e encerrou suas atividades. Para piorar, o Ronaldo, que antes era um goleiro até razoável, foi tendo desempenhos pífios, até parar em times de 3º Divisão.
Então, chegamos à questão: "O que faz uma banda conseguir um grande sucesso com uma canção e nunca mais se aproximar do feito?". Seria a falta de capacidade da banda em compor canções como aquelas novamente? A acomodação do sucesso? A música-sucesso foi apenas um golpe de sorte? Não faziam o perfil do mercado? As gravadoras teriam sangue novo para substituí-los? Ou apenas lhes faltou sorte? Muitas vão ser as respostas, e nenhuma será a conclusão, até porquê, muitos "One Hit Wonders" ainda estão a surgir. Fazem tanta parte do mercado, como a guitarra faz parte do rock'n rool.
Morissey - Come Back to Camden
Datsuns - In Love
Manic Street Preachers - Australia
Evan Dando - Knowing Me, Knowing You
Desert Sessions - Like a Drug
Desert Sessions - Dead in Love
Ben Kweller - My Apartment
Pelebrói Não Sei - Velhos Dias
American Hi-Fi - Another Perfect Day
Placebo - Passive Agressive
Placebo & David Bowie - Without You I'm Nothing
AC/DC - Highway to Hell
Dance of Days - Me Leve às Estrelas
STREET CHAVES
Quem não se lembra do famoso jogo Street Fighter 2? Muitos, especialmente os garotos, passavam horas na frente de fliperamas ou super nintendo jogando o jogo de luta mais famoso de todos os tempos, junto com Mortal Kombat. Eu mesmo era vício puro. Agora imaginem substituir os personagens do jogo pelo os integrantes do Chaves? Sim, Seu Madruga, Professor Girafales, Nhonho, Quico, Dona Florinda...Todos eles estão neste jogo engraçadíssimo. Quem quiser conferir o Street Chaves, vá em http://superdownloads.ubbi.com.br/download/i27724.html
Provas de fim de semestre na faculdade + Expediente aumentado no serviço + Retomada das aulas de música + Formatura do curso de inglês + Ingresso em Projeto de Pesquisa + Alguns Minutos de Net + Estudo de auto-aprendizado em Java = 3 ou 4 horas de sono por dia durante a semana.
Isso tem me dado um baita cansaço. Mas tem o seu lado bom. Mais ocupado eu penso menos na vida e isso me faz lamentar menos. Tem o lado ruim também. Eu vou ficando bastante sonolento e este blog vai ficando cada vez mais medíocre.
E pensar que eu jurei para mim mesmo que eu não iria neste festival nem amarrado este ano, devido à sua horripilante programação, preço abusivo, presença de pessoas das quais eu não suporto, seu formato "carná-goiânia" e muitos outros motivos mais. Agora com a confirmação do Hermanos, estou correndo um certo risco de engolir o que eu disse anteriormente. Putz..assunto a pensar.
O que quero hoje não será o que quero amanhã. O me faz chorar hoje me fará rir amanhã. Tento fingir a estabilidade em minha face e sinto a dor de cruzes carregadas no passado. Tornei-me frágil e inflamável, a ponto de se despedaçar com o mais fraco dos obstáculos. Um reflexo de alguém que deveria ter amadurecido e aceitado a verdade das coisas.
Sinto saudade dos momentos que não vivi. Degrido-me ao saber que a contagem regressiva do tempo passa e eu não consigo cumprir com tudo que planejo. Até hoje, não fiz boa parte das coisas que gostaria.Nem ao menos chorei o tanto que gostaria. Agora choro e quero fugir, antes de me despedaçar por completo. Assim eu não precisaria fingir tantas vezes aquele sorriso. Assim eu não precisaria fingir que não estou amordaçado quando ao amanhecer, me lembro de que terei de olhar para o mesmo sol que me corrói, que terei de enfrentar os mesmos problemas que me chateiam, e de que serei magoado mais uma vez por todos aqueles que me magoam.
Eu gostaria realmente de fazer com que algumas idéias impraticáveis se tornassem fatos concretos.Sei que eu me envergonharei, e que ainda vou entrar em muitas contradições, frutos dos sentimentos momentâneos de repúdio, que só cessarão quando eu me libertar de meus devaneios. Libertar-me dos devaneios se equivale a aceitar as mordaças. Prender-se a eles culmina sempre em dor. Dor que vai passar. Dor que vai voltar. Dor que é temporariamente esquecida naquele abraço carinhoso. Dor de alguém que retomar sua fuga para localidades demasiadamente distantes de seu presente.
Estamos tratando de uma banda arrebatadora, que realmente não decepciona àqueles que gostam do bom e velho rock'n rool e de diversão. Os Datsuns, oriundos da Nova Zelândia, podem ser considerados uma espécie de "hype" de nível médio, uma banda que tem dado o que falar em grandes publicações musicais, como a New Musical Express, e que tem conquistado fãs importantes como Dave Grohl (que teria dito que os Datsuns são a melhor banda da atualidade junto com Q.O.S.T.A e My Mourning Jacket). Mas diferentemente de alguns hypes que invadiram a cena musical desde meados de 2001, fazem questão de injetar uma boa dose de pose no seu som. Assim, com um "rock'n rool de macho" injetado a um pouco de glam no visual, os caras desfilam som para embalar qualquer boa festa de rock dos anos 70, misturando o clássico hard rock ao bom e velho rock de garagem, algo que o nossos conterrâneos MQN também faz muito bem. Qualquer semelhança com Thin Lizzy em alguns aspectos no som também não será de se surpreender. A banda, composta pelos guitarristas Christian e Phil, pelo batera Matt e pelo cantor e baixista Dorf de Datsun, tem pelo menos 6 ano de estrada, mas só ganhou algum reconhecimento após a mudança para Londres, onde conquistaram muitos súditos na terra da rainha. "Harmonic Generator", "In Love" e "MF From Hell" são boas dicas para começar sua festa.
DISSOCIATIVES
"Music unlike anything ever produced by an Australian
act. A pop/rock record for the ages to be placed up
alongside your Beatles and Beach Boys discs."
(Dino Scatena, Rolling Stone Magazine).
De acordo com a crítica acima, extraída na revista Rolling Stone, o Dissociatives merece ter o seu disco colocado em uma cadeia cativa junto com discos dos Beatles e Beach Boys. Exagero? Talvez... De qualquer maneira, fica claro que estamos falando de uma banda criativa. Ou não necessariamente uma banda...O Dissociatives é na verdade uma dupla, montada por Paul Mac, um produtor e DJ conhecido por atormentar a vanguarda da dance music australiana, com junções musicais inesperadas e demasiadamente inovadoras. Junto a ele, compõe a dupla o guitarrista/vocalista Daniel Johns, conhecido por ser o líder do Silverchair, um grupo australiano já bastante conhecido, e que,portanto, me ausento de apresentar. A parceria entre Daniel Johns e Paul Mac começou há mais ou menos 4 ou 5 anos atrás, quando juntos lançaram o EP "I Can't Believe It's Not Rock". Esta parceria cresceu, e tomou formato de banda, fato que culminou em muitos boatos sobre um possível fim do Silverchair. O boato nunca foi confirmado, e provavelmente deva ser apenas mais um boato. Entretanto, o Dissociatives, segundo os seus integrantes, é mais do que apenas um projeto paralelo, e sim uma banda, e assim sendo, lançaram este ano o seu álbum de estréia, chamado "Somewhere Down The Barrel". Trata-se de um álbum de difícil definição. Algo que não consegue se encaixar no formato rock, nem muito menos no formato eletrônico. Assim sendo, de uma difícil primeira audição, o álbum leva realmente muito mais a fundo as experimentações sonoras do quarto álbum do Silverchair, o genial Diorama, que ganhou a desaprovação de muitos dos seus fãs antigos. "Somewhere Down The Barrel", a faixa título, confunde nossos ouvidos com barulhos e discretas inclinações guitarrísticas. Tudo isso, sem perder a melodia. Aliás, harmonias sobram em excesso, em faixas como "Sleep Well Tonight" e "Forever and a Day", faixa-destaque do cd, que agrega a canção um coral de arrepiar. Alguns experimentalismos e belas canções mostram que o pop demasiadamente criativo, e às vezes de não fácil degustação da dupla merece o seu lugar cativo na sua estante de cds. Do lado de quais cds já são outros quinhentos...
O Vídeo Hits era um tradicional grupo da escola gaúcha de fazer bandas de rock com bastante humor e cheia de odes ao amor, sem abrir mão das letras "bregas" e dos charmosos backing vocais femininos. Deixaram muitos órfãos quando resolveram encerrar suas atividades, em abril de 2002. Até então tinham se tornado um ícone no rock gaúcho e já tinham um certo reconhecimento nacional, com dois álbuns: Um demo(2002) e Registro Sonoro Oficial(2001), este último produzido pela Abril Music, e que contou com a participação do mestre do funk Gerson "King" Combo na faixa "Furacão". Neste álbum é possível perceber os grandes atributos do septeto liderado pelo workaholic Diego Medina, um grande agitador do rock regional e nacional. Há faixas que pedem para não sair dos seus ouvidos, como "Menino Feio", "5º Embalada" e "Trombetas de Isaías". Entretanto, o grande trunfo do cd é a faixa título "Vo(C)", que, digo sem exageros, é uma das faixas mais grudentas já produzidas em terras brasilis. Ouvir pelo menos duas vezes sem sair cantando "Deixa eu mostrar aquela nuvem lá no céu, um pedacinho de hortelã, vai refrescar todas as horas da manhã".. é um desafio para poucos. O VH também aparece esta semana no fotolog videoclíptico.
BUFFALO TOM
*Dedicada à Naíza, que me apresentou a banda há algum tempo atrás.
Qualquer referência em relação ao rock alternativo norte-americano dos anos 90 não pode deixar de lado o Buffalo Tom. Este power trio, liderado pelo vocalista Bill Janovitz, iniciou-se em 1989, com a ajuda de J. Macis, do Dinosaur Jr, que produziu o cd e injetou na banda um pouco da sua sensibilidade de composição. Desta maneira, o trio continuou por próprias pernas durante a década seguinte desenvolvendo uma série de canções assoviáveis, que injustiçadamente não emergiram como mereciam. Janovitz tornou-se um expert na arte de compor alguns dos melhores folk rocks da década, fato constatado em canções como "Summer", "Soda Jerk" , "Taillights Fade", "Wiser". Destaque também para "Going Undeground", um ótimo cover de The Jam. O grupo encerrou suas atividades em 1999.
*Cobertura da Bananada no site www.gritoalternativo.com: Resenhas por Carlos Howes e fotos por Hugo C, que também disponibilizou fotos no site da Revista Zero. Confiram!
*Playlist Winamp
All Systems Go - All These things
Ludov - Princesa
Graham Coxon - Bitterwseet Bundle of Misery
5.6.7.8s - Woo Hoo
Kings of Leon - Trani
Wander Wildner - Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro
Superguidis - Ingleses Não Usam Mullets
Muse - Butterflies and Hurricanes
Foo Fighters - This is a Call
Buffalo Tom - Summer
Manic Street Preachers - Everthing Must Go
The Verve - Sonnet
Iris - Cachorro Magro
Sonic Youth - Pattern Recognition
Goldfinger - Jackie Chan
*Pérolas:
Sujeito A: Já pensou que legal seria montar uma banda de samba-metal?
Sujeito B: Que porra é essa?
Sujeito A: Uma idéia que eu tive. Grupos como Los Hermanos misturam o samba ao rock e são bem sucedidos. Por quê eu não seria se misturasse o metal com o samba?
Sujeito B: Porque o pessoal do Los Hermanos é inteligente.
Sujeito A: Isso foi uma indireta?
Sujeito B: Não, foi uma direta.
Sujeito A: Espere pelo menos eu bolar a melhor a idéia para depois me criticar.
Sujeito B: No que vai consistir? Cavaquinho distorcido? Pandeiro com batidas tribais? Cover de Chico Buarque ou Cartola em vocal gutural?
Sujeito A: Hmm..é, ele ia ter de ser modelado. Acho que desta maneira assim não ia dar muito certo.
Sujeito B: Se eu fosse você, eu investiria em bossacore. :D
John Nash(Russel Crowe) é um matemático genioso. Ainda na faculdade, seus teoremas e algoritmos impressionavam. Apesar disto, Nash, como muitos gênios, deixava a desejar um pouco no quesito sociabilidade, especialmente com as mulheres. Anos mais tarde,como professor universitário, ele conheceria Alicia (Jennifer Connelly), uma de suas alunas, e que viria a ser sua futura mulher. Casado, inteligente e respeitado. A bem-sucedida vida deste gênio começava a se desmoronar, revelando um sofrido e atormentado homem. Nash era esquizofrênico. Ele passa a imaginar coisas à sua volta, e a ter um companheiro e alguns inimigos imaginários, como Ed Harris, um supoto agente do governo que o perseguia. Suas imaginações, cada vez mais constantes, passavam a interferir seriamente na sua vida, e durante anos Nash lutou contra esse mal.
A vida de Jonh Nash, vencedor do prêmio Nobel, e uma grande referência nas áreas de economia e matemática, é relatada em a "Uma Mente Brilhante", filme que vencedor de 4 Oscars. A mente brilhante responsável por dirigir o filme é Ron Howard. As reviravoltas de sua história são muito bem ilustradas, e Russel Crowe mostra porquê é um ator bastante respeitado. Não se trata de um filme inesquecível. Entretanto é aquém dos suspeitos padrões hollywoodianos de qualidade, fato que compensa uma boa sessão de vídeo.
*Lembram o que disse no post sobre resenhas? Esqueçam! Está superado o rápido momento de desânimo. Percebi que gosto de escrever sobre música tanto quanto fazer música, e por isso não conseguiria parar de falar sobre os shows que assisto facilmente. Além disso, essa atividade tornou-se uma espécie de hobby para mim, que vem sendo cada vez mais alimentada pelo apoio de pessoas bacanas. Na verdade, acho que qualquer atividade envolvendo música me proporciona um grande ânimo.
*E que o rock'n rool tem presença marcante na minha vida, isto não é novidade. Entretanto, esta semana eu me dei conta do tamanho desta "presença marcante". Num daqueles momentos de "filosofia de banheiro" eu estava refletindo a respeito do aproveitamento do salário que recebo (se é que aquilo pode ser chamado de salário) no serviço. O fato é que, mais da metade do meu salário é destinado ao pagamento de parte da mensalidade da faculdade (que é completado com uma bolsa). Do restante, a maior parte é utilizada para pagar uma série de pequenas contas e gastos habituais necessários. E da miséria que me resta para gastar em bobagens, 80% são gastos com comida e coisas relacionadas à música. Não sei bem se isto é um bom aproveitamento de dinheiro. Mas que são duas das melhores coisas que existem, ah, isto são.
*Ainda em se tratando de números e reflexões sobre coisas bobas, eu estava me recordando da época em que iniciei minha jornada de internauta, no meio da década de 90, onde downloads de 3 kb/s eram absurdamente rápidos e IRC era coisa para meia dúzia de pessoas. De lá para cá, muita coisa mudou no tempo que eu gasto com a Internet. Para eu explicar isso melhor, eu dividi minha jornada de internauta em fases:
1º fase) 100% do tempo gasto com navegação em web sites.
2º fase) Descoberta dos bate-papos e mensageiros instantâneos. Conseqüência: 40% do tempo gasto com mIRC, 40% do tempo gasto com ICQ e 20% do tempo gasto em web sites.
3º fase) Estouro dos meios de distribuição de mp3. Surge o Napster para fazer a alegria de quem quer ouvir tudo quanto é tipo de música que se imaginar no seu computador. Conseqüência: 30% downloads, 30% mIRC, 30% ICQ, 10% web sites.
4º fase) Surgem os blogs, que começaram como diários virtuais e depois passaram abranger todo o tipo de temática possível, sendo escritos por todo tipo de gente possível, inclusive por mim. Posteriormente viriam os fotologs, e as imagens passaram a ser o que há para muitos na Internet. Não me agradaram como os blogs, mas ainda sim rolava uma curiosidade em fuçar por alguns net afora. Então: 40% blogs e flogs, 20% downloads, 15% mIRC, 15% ICQ, 5% Messenger, 5%web sites.
5º fase) Os blogs e os flogs continuam em escala crescente.Tão crescente quanto eles é o Messenger, que passa a ser o maior programa de troca de mensagens instantâneas, graças a uma mãozinha da Microsoft e da Hotmail. Eu, mesmo preferindo o ICQ, tive de adotá-lo como padrão, senão corria o risco de conversar apenas com as moscas. Conseqüência : 50% blogs, flogs e web sites, 30% Messenger, 15% downloads, 5% ICQ e mIRC.
6º fase) Iniciou-se muito recentemente quando eu resolvi me cadastrar na comunidade do Orkut. È muito cedo para dizer alguma coisa, mas acho que estou prevendo grandes mudanças no meu tempo gasto com a Internet.